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5 jogadores que dominaram a NCAA e falharam na NBA

Ricardo Romanelli
Ricardo Romanelli

A NBA está cheia de casos celebres de atletas que não conseguiram emplacar boas carreiras na liga após terem sido escolhidas em posições de destaque no Draft. Muitas vezes, olheiros viram naquele atleta potencial físico ou de desenvolvimento de fundamentos que acabaram não se concretizando. Dentro deste elenco de jogadores, existe um capítulo à parte, dedicado aos que chegaram a dominar a competição no nível universitário, tendo carreiras de muito destaque na NCAA, e depois não conseguindo se firmar na NBA. Dada a proximidade da próxima edição do March Madness, te lembramos de alguns deles.

Adam Morrison

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Adam Morrison é um dos mais icônicos casos de escolha de Draft que deu errado. Em 2005-06, pela universidade de Gonzaga, ele impressionou a todos. Liderou a NCAA registrando 28,1 pontos por jogo com incríveis 42% de aproveitamento nas bolas de três. O frenesi em torno de suas atuações lhe conferiu inclusive o apelido de “White Mamba”, em alusão a alcunha “Black Mamba” de Kobe Bryant, que na época dominava a NBA.

Como resultado, foi eleito o jogador do ano no prêmio Naismith, o mais importante do basquete universitário, ao lado de J.J Redick (Duke). Enquanto Redick, apesar de não ter repetido a performance da NCAA, conseguiu ser um jogador de destaque na NBA, Morrison não alcançou o mesmo sucesso. Ele foi escolhido na terceira posição pelo Charlotte Bobcats (hoje Hornets) no Draft de 2006.

Na NBA, Morrison jogou apenas quatro temporadas, sendo uma temporada e meia no Bobcats e outra uma temporada e meia no Los Angeles Lakers, onde foi bicampeão da NBA em 2009 e 2010, mas mal entrava em quadra, tendo atuado em apenas 39 jogos neste período. Em sua carreira na liga, registrou 7,5 pontos por partida, com 33% de aproveitamento nas bolas de três.

Após a NBA, jogou mais duas temporadas na Europa, por times na Sérvia e na Turquia, antes de se aposentar, aos 28 anos de idade. É bem verdade que lesões atrapalharam no começo de sua carreira na NBA, mas muitos olheiros sempre disseram que ele não teria físico para dar certo na liga.

O Draft de 2006 teve Andrea Bargnani na primeira escolha, que também foi uma decepção, mas depois de Morrison outros bons atletas foram selecionados como os All-Stars Brandon Roy, Rajon Rondo, Kyle Lowry e Paul Millsap, além de jogadores bastante úteis como Rudy Gay, Thabo Sefolosha e P.J Tucker, então é seguro dizer que o Bobcats se arrependeu bastante desta escolha.

Jimmer Fredette

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Jimmer Fredette foi outro fenômeno de pontuação na universidade. Em 2011, como senior na universidade BYU, foi um excelente scorer que arremessava bolas de três de muito longe na cara de seus marcadores. A “Jimmer-Mania” tomou conta da mídia que cobria o basquete, e o estilo que lembrava o de Steph Curry faziam com que ele parecesse destinado ao estrelato na NBA. Os 28,9 pontos de média por BYU, liderando a NCAA, eram a cereja do bolo.

Sendo assim, o Sacramento Kings se animou e na noite do Draft de 2011 fechou uma troca de três times envolvendo Milwaukee Bucks e Charlotte Hornets que, fazendo com que vários jogadores e escolhas de Draft mudassem de casa, o time de Sacramento adquirisse a décima escolha do recrutamento para poder contar com Fredette e coloca-lo ao lado dos então jovens DeMarcus Cousins e Tyreke Evans. Era um núcleo jovem destinado ao sucesso.

A Jimmer-Mania inicialmente também chegou a Sacramento, com vendas de camisas crescendo 540% nos produtos oficiais do time. Em apenas três temporadas, entretanto, ele não conseguiu passar dos 7,6 pontos por jogo de média, chegando ao cúmulo de ter sido dispensado pelo Kings em fevereiro de 2014, antes mesmo do final de seu contrato de calouro. Ele assinou com o Chicago Bulls pelo restante da campanha, onde disputou apenas oito partidas. Em 2014-15, fez 50 partidas pelo New Orleans Pelicans, com apenas 3,6 pontos de média. Em 2015-16 teve ainda uma chance de integrar o elenco do Westchester Knicks na G-League.

Em 2016, assinou com o Shanghai Sharks, da CBA, a liga chinesa de basquete. Lá, se firmou e registra médias na casa de 37 pontos por jogo em suas duas temporadas pelo Shark, tendo se tornado um dos jogadores de basquete mais importantes da China, hoje aos 30 anos de idade.

Neste Draft de 2011, depois de Fredette foram escolhidos Klay Thompson (11 – uma após Jimmer), os irmãos Markieff (13) e Marcus (14) Morris, Kawhi Leonard (15), Nikola Vucevic (16), Tobias Harris (19 – que inclusive fez parte da troca que deu ao Kings a escolha 10), Nikola Mirotic (23), Jimmy Butler (30) e Isaiah Thomas (60 – pelo próprio Kings). Dá pra dizer com segurança que o time de Sacramento tem muitos motivos pra se arrepender desta escolha.

Juan Dixon

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A universidade de Maryland levou o título universitário de 2002 muito graças ao armador Juan Dixon. Naquele ano, ele era senior, ou seja, jogava seu quarto ano pelo Terrapins, que também tinha outros jogadores que viriam a atuar na NBA como Steve Blake e Chris Wilcox. Com médias de 20,4 pontos por jogo, suas performances dominantes lhe garantiram o distinto posto de ser o único atleta universitário a registrar 2.000 pontos, 300 roubos de bola e 200 bolas de três em sua carreira na NCAA.

Ao final do torneio, ele foi eleito o jogador de maior destaque da competição e o atleta do ano da ACC. Foi selecionado na escolha número 17 do Draft de 2002, pelo Washington Wizards. Esta foi uma classe relativamente fraca, onde Yao Ming foi a primeira escolha, e além dele apenas Amar’e Stoudemire (9) e Carlos Boozer (35) se tornaram All-Stars. O Draft também tem a distinção de ter sido o que levou o brasileiro Nenê para a NBA, na sétima escolha.

Dixon atuou três anos pelo Wizards sem conseguir se firmar, nunca registrando mais que 10 pontos de média. Em 2005, assinou com o Portland Trail Blazers, onde fez a melhor temporada da carreira ao registrar 12,3 pontos por jogo. Em 2007, na trade deadline, foi trocado para o Toronto Raptors, onde jogaria por um ano antes de ser trocado na trade deadline seguinte para o Detroit Pistons, time que lhe dispensaria no final da temporada. O Wizards, seu primeiro time, lhe deu um contrato parcialmente garantido em 2008, o qual não foi renovado.

Sem espaço na NBA e com apenas 8 pontos de média durante a carreira, rodou dois anos no basquete europeu, atuando por times na Grécia, Espanha e Turquia, antes de se aposentar em 2011. Desde 2017, é técnico da Coppin State University.

Michael Beasley

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O ala Michael Beasley se tornou um dos jogadores mais folclóricos da NBA em seu período na liga, e mesmo que seja um pontuador relativamente capaz, infelizmente sua carreira deixou muito a desejar. Como calouro, Beasley teve uma das temporadas de estreia mais dominantes da história do basquete universitário. Jogando por Kansas, registrou 26,2 pontos e 12,4 rebotes por partida em campanha que lhe levou a ser um dos finalistas para melhor jogador da temporada.

Os feitos lhe credenciaram para ser escolhido na segunda posição do Draft de 2008, pelo Miami Heat, que havia trocado Shaquille O’neal e precisava de um novo atleta para fazer dupla com o jovem Dwyane Wade. Em duas temporadas com o Heat, ele até não foi mal, registrando médias na casa de 14 pontos por jogo. No entanto, os recorrentes problemas disciplinares, que viriam a marcar sua carreira, fizeram com que o Heat decidisse trocá-lo na offseason de 2010, num esforço para limpar espaço na folha salarial para contratar LeBron James e Chris Bosh para formar um supertime com Wade.

Depois de um primeiro ano em Minnesota com 19 pontos por jogo, a performance caiu bastante e na segunda temporada registrou apenas 11, o que levou o Wolves a não renovar seu contrato ao final da campanha, mais uma vez por problemas disciplinares incluindo uma abordagem policial onde drogas foram encontradas em seu carro.

Ele então assinou por três anos com o Phoenix Suns, e foi dispensado pelo time do Arizona após apenas um ano, ainda tendo duas temporadas de contrato, por recorrentes problemas com drogas (maconha), tendo chegado a ser preso por posse de entorpecentes um mês antes da dispensa. Com isso, ele voltou a Miami por uma temporada, fazendo parte do time que perdeu para o San Antonio Spurs em 2014, mas suas médias de pontuação já haviam descido para um patamar próximo a 8 pontos por partida em meio a tantos problemas disciplinares e de conduta.

Com isso, Beasley foi para a China, onde atuando pelo Shanghai Sharks e pelo Shandong Golden Stars, entre 2015 e 2016 foi eleito duas vezes o MVP do All-Star Game da CBA, anotando 59 e 63 pontos nas duas partidas, ambos recordes da competição. Entre as duas temporadas, ainda teve uma terceira chance no Heat, que lhe contratou por alguns jogos entre a intertemporada chinesa. Ainda em 2016, foi eleito o melhor estrangeiro da liga chinesa, lhe credenciando a um retorno para a NBA.

O Houston Rockets lhe deu uma chance e o contratou em março de 2016, permitindo-lhe atuar em 20 partidas no final daquela temporada e mais 5 jogos nos playoffs. Com boa média de 12,8 pontos em poucos minutos, o Milwaukee Bucks se interessou e fechou uma troca para adquiri-lo junto ao Rockets para a temporada 2016-17. Beasley mais uma vez não impressionou, e em 2017-18 ganhou chance no New York Knicks, onde fez um papel bastante eficiente de pontuador em minutos restritos, anotando 13,2 pontos por partida, com eficiência nos arremessos. A aparente virada na carreira lhe garantiu uma chance no Los Angeles Lakers, que havia acabado de assinar com LeBron James. As más atuações e indisciplina no vestiário, entretanto, fizeram com que ele fosse trocado para o Los Angeles Clippers na última trade deadline, com o time lhe dispensando na sequência. Beasley lidou nesta temporada com o falecimento da mãe, que lhe impactou muito pessoalmente.

Agora, ele retornou para a China, onde vai atuar pelo Guangdong Southern Tigers. Se comparado aos outros listados na matéria, Beasley até postou bons números na carreira, mas com o talento que tem, poderia ter sido um dos melhores pontuadores da NBA caso tivesse o comprometimento necessário. Depois dele, no Draft de 2008, foram escolhidos Russell Westbrook (4), Kevin Love (5), Brook Lopez (10), Roy Hibbert (17), DeAndre Jordan (35) e Goran Dragic (45). Já pensou qualquer um desses atuando no auge com Dwyane Wade em Miami?

Tyler Hansbrough

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Campeão da NCAA, astro do North Carolina Tar Heels, All-American, jogador universitário do ano, camisa aposentada em UNC e 20 pontos e 8 rebotes de média em sua carreira na NCAA. Poucos jogadores tiveram o pedigree universitário de Tyler Hansbrough, mas isso não adiantou de muita coisa na NBA. Selecionado pelo Indiana Pacers com a décima terceira escolha do Draft de 2009, a equipe de Indiana tinha esperanças de que o ala-pivô de 2,06 m fosse um bom complemento para o ala Danny Granger, então astro da equipe, que vinha de uma temporada de All-Star onde foi eleito o Most Improved Player da NBA.

A experiência deu bastante errado. Hansbrough não repetiu o sucesso da NCAA, chegando ao final dos quatro anos de seu contrato de calouro com médias próximas a 9 pontos e 3,5 rebotes por jogo. O Pacers liberou o atleta ao final de seu vínculo, e ele assinou com o Toronto Raptors na esperança de uma virada na carreira, que não veio. Em seus dois anos no Canadá, apenas 4 pontos e 4 rebotes de média em 138 partidas. A última chance na NBA foi ofertada pelo Charlotte Hornets. Na temporada 2015-16, apenas 2,4 pontos e 2 rebotes por partida em 44 jogos foram suficientes para que o time não renovasse seu vínculo ao final da campanha.

Em 2017, após passagem pela G-League, foi para o basquete chinês. Lá, assinou com o Guangzhou Long-Lions, onde postou médias quase idênticas às da NCAA: 20,8 pontos e 9,9 rebotes. Em 2018, assinou com o Zhejiang Golden Bulls, onde permanece, aos 33 anos de idade. Hansbrough permanece sendo o único jogador na história da ACC a ser eleito para o All-American Team em todas suas quatro temporadas na liga.

No Draft de 2009, para sorte do Pacers, não foram muitos os bons jogadores que vieram depois dele Jrue Holiday (17) e Jeff Teague (19) se destacam. Todos os bons atletas foram escolhidos antes, num top10 poderoso que contou com Blake Griffin (1), James Harden (3), Tyreke Evans (4), Ricky Rubio (5), Steph Curry (7) e DeMar DeRozan (9).

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