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3 perguntas que a NBA precisa responder antes de voltar a jogar

Ricardo Romanelli
Ricardo Romanelli

Com a notícia de que alguns times já estão liberados para abrir seus centros de treinamento (com os devidos cuidados, é claro), a NBA agora passa a pensar com mais empenho em como vai fazer para retomar sua temporada e concluir o campeonato de 2019-20. 

Para isso, entretanto, precisa responder três perguntas que, apesar de parecerem, não são nada fáceis: quem, onde e quando?

Quem vai voltar a jogar?

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A primeira dúvida é sobre quais times efetivamente voltarão às quadras. A essa altura, será que faz sentido disputar jogos de temporada regular, ou é melhor ir direto para os playoffs? A maioria dos times já disputou perto de 65 partidas e a única vaga de Playoffs que ainda estava em disputa verdadeira é a última posição do Oeste, que mesmo assim New Orleans Pelicans, Portland Trail Blazers, Sacramento Kings ou San Antonio Spurs precisariam fazer excelentes campanhas para tentar desbancar o Memphis Grizzlies. Jogar mais cinco ou dez jogos, portanto, como alguns sugerem, teria chances muito pequenas de alterar a classificação. 

Também pesa o fato que a maioria dos contratos de TV regionais que cada franquia tem estabelece pagamento integral dos valores de transmissão ao atingir a marca de 70 jogos. Apesar disso, as multas são relativamente pequenas pelo não cumprimento deste objetivo, já que todas as franquias estão muito próximas deste número.

Sendo assim, faria bastante sentido que a NBA voltasse a disputar partidas apenas com os 16 times que hoje estão em zona de classificação para os Playoffs, reduzindo quase pela metade a necessidade de infraestrutura para abrigar todos esses jogadores e demais profissionais das franquias, além de quadras para jogos e treinos e equipes de transmissão. Somente o custo operacional menor e a exposição diminuída ao vírus pelo fato de menos times estarem no local já devem compensar a receita perdida por alguns poucos jogos não realizados. 

Também deve-se considerar que a maioria dos atletas não está nas cidades onde jogam, com muitos tendo voltado para suas cidades ou países de origem. Qual a lógica em fazer um jogador europeu fazer uma viagem até os EUA para jogar alguns poucos jogos se seu time não tem condições de chegar aos Playoffs? É um risco elevado e desnecessário, que pode até trazer repercussão midiática negativa para a NBA. Por isso, as chances maiores hoje é de que apenas os times que vão para os Playoffs voltem às quadras. Mas que quadras?

Onde os jogos vão acontecer?

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Desde o princípio, a ideia da liga tem sido criar uma espécie de "bolha" em uma localidade onde possa controlar todo o ambiente e os jogadores não precisem ter contato com o mundo exterior. A possibilidade de jogar nas arenas dos times, com torcida presente, está descartada a não ser que encontre-se uma cura ou vacina para o vírus rapidamente. 

Nas últimas semanas, várias localidades passaram a ser especuladas. Complexos de cassinos em Las Vegas, resorts de luxo no Caribe e campi universitários no interior do país foram considerados, mas o candidato mais forte a receber o mundo do basquete é o parque de diversões da Disney, em Orlando, o Disney World. 

O local tem uma série de características que lhe fazem ter a dianteira nesta disputa. Por estar em um local já afastado de grandes aglomerações urbanas, fica quase deserto quando está fechado, como é o caso agora. Também conta com excelente estrutura holeitra ao redor para receber os jogadores e demais funcionários que vão trabalhar nos jogos, devido aos hoteis que já existem ali para acomodar os turistas que, em tempos normais, lotam o parque. 

Além disso, a Disney pode adaptar algumas atrações para que sirvam de entretenimento para os jogadores durante o tempo que ficarão lá isolados, já que se prevê que esta bolha dure, no total, por algo em torno de dois a três meses. Isso também pode ser um atrativo para convencer os jogadores a aceitarem a proposta, já que provavelmente neste formato eles poderiam levar suas famílias, mesmo que de maneira limitada, e teriam entretenimento disponível no local.

Para ajudar, a Disney é dona da ESPN, e portanto é diretamente interessada no retorno da temporada da NBA, e não deve medir esforços para viabilizar qualquer coisa que dependa de si. 

Las Vegas, o outro local forte nesta disputa, é visto com reservas por muitas pessoas ao redor da liga devido ao elevado número de distrações que a cidade oferece, podendo criar situações com as quais a NBA não gostaria de ter que lidar neste período tão delicado. O apelido "Cidade do Pecado" não é à toa, e com isso hoje a Disney parece o local mais provável. Mas tudo isso esbarra na maior das questões, que envolve previsbilidade para que tudo isso aconteça.

Quando os jogos podem voltar?

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Essa é a pergunta mais difícil de ser respondida, e a que está travando qualquer definição sobre as duas primeiras. Em tese, quanto antes a NBA puder retomar as partidas, mais jogos poderão ser realizados, mas existem mais fatores que devem ser levados em conta. Com o tempo, o número de testes disponíveis para covid-19 vão aumentar, e a liga seria menos criticada por comprar estes recursos enquanto o sistema de saúde não os tem. A doença também já teria atingido pontos mais altos em sua curva de infecção e os riscos para contato destes jogadores, funcionários e famílias seria menor, pois mais pessoas já teriam tido contato com o vírus. 

O tempo também é importante para a próxima temporada, pois quanto antes a NBA conseguir concluir 2019-20, mais cedo vai conseguir começar 2020-21. Hoje existe um plano para uma próxima campanha começando em dezembro, perto do Natal, e terminando no final de agosto de 2021. Mas para que tudo isso aconteça, é necessário terminar a atual temporada a tempo de dar descanso para os atletas e realizar partes essenciais da offseason como o Draft e o mercado de agência livre. 

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Existem alguns jogadores lesionados que podem voltar a atuar por suas equipes e mudar todo o cenário que era projetado antes da parada. Ben Simmons (Philadelphia 76ers), que sofria com lesão nas costas, já está recuperado. Kevin Durant e Kyrie Irving (Brooklyn Nets) estavam fora da temporada e continuam afirmando que não voltam, mas será que a posição vai ser a mesma se demorarmos mais alguns meses? Será que Victor Oladipo consegue voltar a seu ritmo ideal a tempo de ajudar o Indiana Pacers a tentar chegar na final do Leste? Estes são apenas alguns atletas que, se realmente voltarem, mudam muito as chances de suas equipes nos Playoffs. 

Outro ponto a ser considerado é sobre a Olímpiada de Tokyo, que foi transferida para 2021. É certo que, quando a Olímpiada começar (final de julho), a maioria dos atletas já terá terminado sua participação na temporada da NBA. Mas também é fato que a NBA é hoje uma liga altamente internacionalizada e que a maioria dos principais atletas olímpicos atua na liga, incluindo todo o time dos EUA. 

Este prazo pode ser esticado ainda mais, já que algumas cidades não pretendem liberar jogos com presença de público antes de 2021. O prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, é um dos governantes que tem se manifestado neste sentido. Segundo Kevin O'Connor (The Ringer), aproximadamente 25% das receitas da NBA vêm da venda de ingressos e outros itens relacionados ao dia do jogo, como comidas, bebidas e estacionamento, e por isso os donos de time também não teriam tanta pressa em começar a temporada 2020-21, preferindo que ela atrase, mas seja disputada com público. 

Isso dá ao comissário Adam Silver um pouco mais de tempo para decidir o que fazer com a temporada 2019-20, sabendo que é possível tomar a decisão sobre a temporada seguinte mais adiante. 

Em suma, a NBA está tomando todos os cuidados necessários para retornar às atividades de maneira segura e sustentável, e neste momento estuda todos os cenários possíveis para que isso aconteça. Quando chegar num ponto onde as três perguntas apresentadas possam ser respondidas, a bola laranja voltará a subir.

Dá um play e confira nossa playlist NBA Finals 2020 - Miami x L.A.