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Ricardo Bulgarelli: o comentarista que ama basquete

Rafael Balthazar
Rafael Balthazar

Batemos um papo com o comentarista Ricardo Bugarelli, que cobre a NBA e o NBB no Brasil. Fanático por esporte, Bulga, como é conhecido, é uma das vozes mais importantes do basquete no Brasil. Nesta entrevista exclusiva, ele nos conta um pouco mais sobre como começou a carreira, o que pensa do atual cenário do basquete, sua rotina como comentarista e outros assuntos. Saca só:

Hoop78: Seja bem-vindo ao Hoop78, Bulga! É um prazer imenso tê-lo aqui. Pra começar, conte-nos um pouco sobre como começou sua paixão pelo basquete e seus primeiros passos como jornalista esportivo. Desde pequeno você tinha vontade de trabalhar com esporte ou foi algo que surgiu mais tarde com o tempo?

Ricardo Bulgarelli: Eu sonhava em ser veterinário. Amo cachorros, então desde criança meu sonho era cuidar de animais. Mas também desde criança eu acompanhava esportes, principalmente olímpiadas. Lembro bem da olímpiada de Moscou (1980), que tinha o Misha, aquele mascote que chorava, e era algo bem emocionante. Eu lembro do mundial das Filipinas de basquete, mas me interessava por todos os esportes, natação, vôlei, basquete, futebol. Em época de olímpiadas, mundiais, futebol internacional eu pirava. Inclusive tenho uma paixão gigantesca pelo Liverpool porque a Copa da Inglaterra passava na TV Globo. Sempre sonhei em ser veterinário, mas isso de trabalhar com estatísticas, dados, ver jogos, sempre vi isso como um hobby. Nunca me vi como jornalista porque pra isso precisaria escrever bastante, no começo não me via como comentarista. Mais tarde, no colegial, um amigo meu via minha paixão por esporte e a facilidade que eu tinha de memorizar e acompanhar tudo e perguntou porque eu não trabalhava com isso.

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Aí eu acabei desistindo de tentar ser veterinário e fui fazer Rádio e TV pra trabalhar no Show do Esporte da TV Bandeirantes. De lá fui estagiário e fui trabalhar na ESPN (1995) com o Por Dentro do Basquete, onde me tornei editor-chefe (1997). Nessa época fui a vários eventos pela ESPN como a Copa do Mundo da França, três All-Star Game da NBA, o Mundial de Indianapolis e o U.S Open de Tênis. O Por Dentro do Basquete era um programa semanal que eu produzia e editava, primeiro apresentado pelo Fábio Sormani, seguido pelo João Palomino e o André Kfouri. A ESPN tinha a transmissão dos campeonatos paulista e carioca de basquete, e a NBA era feita de lá dos EUA, com produção americana, narrada pelos brasileiros que moravam nos EUA e não tinha nada a ver conosco aqui no Brasil.

Hoop78: O grande objetivo do nosso site é tratar o basquete não só como esporte, mas como estilo de vida também. Sendo assim, nada melhor do que aproveitar essa oportunidade para lhe perguntar sobre o seu estilo de vida como jornalista esportivo. Fale um pouquinho sobre como é a sua rotina na ESPN e a preparação pra cobrir uma liga tão intensa como a NBA, com jogos e novidades a todo momento.

Ricardo Bulgarelli: Eu sou freelancer, ganho por participação. Estudo bastante em casa, e por acompanhar a NBA por tanto tempo eu praticamente mudo meu fuso horário para o horário americano. Vou dormir em torno de quatro e meia da manhã, que é o horário que acaba o último jogo da rodada. Estudo bastante, chego na ESPN entre uma hora e meia e duas horas antes do jogo, assisto muito League Pass e vejo vídeos dos jogos, estudo via game notes, via jornalistas que acompanham as equipes pra ter as informações mais atualizadas sobre rumores, noticiário médico. É um trabalho complexo, mas prazeroso.

Image titleBulgarelli e a equipe do Hoop78, no ESPN League.

Hoop78: Vamos falar um pouco sobre o cenário da NBA no Brasil. É evidente que a liga vem crescendo ano após ano no nosso país, com as transmissões tendo cada vez mais audiência e sendo também cada vez mais comum ver pessoas usando roupas de basquete, envolvidas na cultura e praticando o esporte. Muitos fãs mais antigos da NBA alegam que essa expansão trouxe pro basquete um estilo de torcedor mais ‘’futebolístico’’, que tem um time de coração e defende suas opiniões cegamente com unhas e dentes. Você enxerga desta forma? Você acredita que esse "boom" da NBA no Brasil pode mudar a experiência dos torcedores em geral com o esporte?

Ricardo Bulgarelli: Não acho que é só por essa superexposição que o torcedor virou “futebolístico’, acho que é algo natural do brasileiro transformar tudo em futebol. Uma rivalidade, muitas vezes de forma cega, independente da exposição. Um fato importante em relação a NBA é justamente esse que você destacou. Antigamente passava uma vez por semana em VT na TV Bandeirantes, eram raros os jogos ao vivo, tinha mais em playoffs. Então acho que essa exposição é legal pra ter o cara que é torcedor, mas o fato dele torcer de maneira como se fosse futebol é coisa do brasileiro, não pela atenção maior. Gostaria que torcessem com moderação, sem tanto fanatismo, até mesmo no futebol. O brasileiro tem a mania de achar que perde porque não joga bem, como em Copa do Mundo, não consegue ver o mérito e a qualidade do adversário. Gostaria muito que esse tipo de comentário mudasse, até mesmo em relação a jogadores e não apenas times. Eu, por exemplo, prefiro o LeBron James em relação ao Kobe Bryant, mas isso não quer dizer que eu não gosto do Kobe. Muita gente fica em cima do muro quando é perguntado, mas eu prefiro dar minha opinião, não posso ficar em cima do muro. Acho que o basquete no geral tende a crescer, não só a NBA, e tudo vai fomentando cada vez mais pro basquete ser o segundo esporte do país, como foi na época que eu era criança.

Image titleBulga e seus filhos, Luciano e Maurício. 

Hoop78: Como discutimos anteriormente, o basquete só cresce no Brasil. Ainda assim, muitos torcedores não acompanham a nossa liga nacional, o NBB. É evidente que a liga vem ganhando espaço aos poucos, tendo seus jogos transmitidos em rede nacional, seja pela TV aberta, fechada ou até mesmo pelo Twitter, mas ainda não recebe muita atenção, tanto da mídia esportiva quanto pelos próprios fãs, como por exemplo as Ligas de Vôlei recebem. Além disso, muitos dos torcedores que acompanham a liga só o fazem pela presença de grandes times já reconhecidos no cenário nacional como Vasco da Gama, Flamengo e agora Corinthians. Quais os meios, na sua opinião, para que o NBB se torne mais atrativa aos fãs e novas pessoas que estão passando a ter um contato maior com o esporte?

Ricardo Bulgarelli: O NBB está no caminho certo, é uma liga que acabou salvando o basquete, que vivia um momento delicado, e a tendência é melhorar cada vez mais. Espero que a CBB consiga eliminar essa dívida. O presidente Gui Peixoto está fazendo um grande trabalho pra isso. A gente torce pra que isso caminhe firme numa mesma direção e que no basquete todos remem pro mesmo lado. Quando comecei a acompanhar basquete nos anos 70, era normal ter times de camisa como Palmeiras e Corinthians em São Paulo e Flamengo, Botafogo, Fluminense e Vasco no Rio de Janeiro. Isso é importante pra alavancar torcedores pros ginásios. Falando aqui de São Paulo eu gostaria muito que o Sírio-Libanês voltasse, que o Monte Líbano voltasse a apoiar o basquete. São equipes tradicionais. A tendência do NBB é criar um League Pass pra ter transmissões diárias. Eu se fosse o NBB tiraria a exclusividade e colocaria em todas as emissoras. Quanto mais lugares estiverem passando, melhor. Com essa entrada do NBB no Facebook e no Twitter, eu que faço parte das transmissões vejo o quanto movimenta. Acho que falta um pouquinho de divulgação de todas as emissoras. Nos EUA, quando tem por exemplo um jogo na ESPN, eles fazem a chamada na TNT, porque entendem que a NBA é maior que isso e todos ganham com a divulgação. Aqui no Brasil não tem essa cultura infelizmente, a coisa é vista muito na base da concorrência. Mas o NBB sem dúvidas está no caminho certo.

"O NBB está no caminho certo, é uma liga que acabou salvando o basquete, que vivia um momento delicado, e a tendência é melhorar cada vez mais." - Ricardo Bulgarelli.

Hoop78: Recentemente Kentucky e San Lorenzo se enfrentaram numa competição das Bahamas, com a vitória do time americano ao final da partida. Apesar de ser um ótimo time, Kentucky ainda é uma equipe de universidade e conseguiu se sobressair ao campeão das Américas sem muita dificuldade. Isso nos mostra que há um abismo gigante entre os times norte-americanos e os sul-americanos. Como uma pessoa que acompanha de perto o basquete, tem contato direto com jogadores e treinadores e que é fã a anos do esporte, você acredita que os times latinos conseguirão impor uma maior resistência aos times americanos algum dia? Qual o caminho para isso na sua visão?

Ricardo Bulgarelli: Eu vi os highlights. O time de San Lorenzo é muito forte, uma base americana fantástica. O Tyrone de Mogi acabou de ir pra lá, Dar Tucker está por lá, o time tem quatro americanos de peso e jogadores jovens importantes da Argentina, e mesmo assim o time foi amassado por Kentucky. Existe sim uma diferença muito grande, principalmente no atleticismo dos americanos. Eu vejo hoje o basquete muito psicológico e físico, o cara precisa precisa ter preparo físico mais intenso, muita transição, muita velocidade, precisa aguentar pancada pra bater pra dentro, cavar uma falta, pra aguentar os contatos. O basquete se tornou um esporte de muita força física e principalmente mental, e acho que o mental é que faz uma diferença grande. Se o jogador combina esses itens, a força com a parte mental e aguenta correr o jogo todo, não precisa ser um jogador muito inteligente que acaba sendo um atleta útil na NBA. O cara que tem tudo isso acima da média e ainda é inteligente e bom de bola acaba sendo um dos grandes jogadores do esporte. É pouco provável essa vantagem diminuir, então o resto do mundo precisa trabalhar nessa parte de físico. Aqui você vê caras que às vezes jogam de qualquer maneira, principalmente na base, que acabam indo pro buraco no decorrer do jogo e não se recuperam. A base aqui precisa ser melhor gerida, precisa de um melhor tratamento nesse quesito mental.

"O basquete se tornou um esporte de muita força física e principalmente mental, e acho que o mental é que faz uma diferença grande" - Ricardo Bulgarelli.

Hoop78: Agora duas perguntas em uma só envolvendo a sua franquia do coração, o Portland Trail Blazers. Ano passado não se esperava muito de Portland antes da temporada começar, mas pra surpresa de muitos o time se encaixou e terminou em terceiro lugar numa conferência recheada de supertimes e all-stars. Também surpreendentemente, o time acabou varrido pelo New Orleans Pelicans nos playoffs. Apesar da eliminação precoce, o time não fez grandes mudançadas para a temporada que vem. Com o Oeste ficando cada vez mais competitivo, o que esperar de Portland neste ano? E a segunda pergunta é sobre o quanto o desempenho da franquia nessa temporada pode afetar na decisão das suas maiores estrelas em permanecer ou não no Blazers. É cedo pra dizer que um ‘’fracasso’’ esse ano pode fazer C.J. McCollum e Damian Lillard desejarem novos ares na carreira?

Ricardo Bulgarelli: O terceiro lugar na temporada passada foi um resultado supreendente. Eu não esperava, achava que o Portland brigaria por vaga nos playoffs, afinal tem o Damian Lillard, que é um all-star e um cara importante na liga. Às vezes o resultado é enganoso e esconde as dificuldades que a equipe tem. O Portland teve um ano (2015) em que perdeu cinco jogadores, quatro titulares e o sexto homem: LaMarcus Aldridge, Wesley Matthews, Robin Lopez, Nicolas Batum e Arron Affalo. Só ficou o Damian Lillard. Naquela temporada que não se esperava nada do Portland, o time chegou aos playoffs e tirou o Los Angeles Clippers na primeira rodada por conta das lesões de Chris Paul e Blake Griffin, e aí caiu para o Golden State Warriors na segunda rodada, mas com um time que era um sucesso com Ed Davis, Al-Farouq Aminu, Mo Harkless e outros jogadores com bastante destaque. A diretoria resolveu manter todo o time e inflacionou o mercado, dando grandes contratos para jogadores como Mo Harkless, Evan Turner, Festus Ezeli, num esforço de manter o time que se não fossem as lesões dos jogadores do Clippers teria sido varrido nos playoffs. Uma campanha enganosa que acarretou num esforço pra manter o time e valorizar os caras que tinham ficado no ano de reformulação. No ano passado aconteceu a mesma coisa, só que sem os investimentos. O Blazers só foi terceiro colocado porque todos os outros times abaixo tiveram jogadores importantes lesionados. A diferença do terceiro pro décimo colocado era de pouquíssimos jogos. Isso somado ao mês de fevereiro do Damian Lillard, que foi o melhor mês da carreira dele, geraram uma campanha enganosa, que não condizia com o time que tinha. Mas a varrida nos playoffs também foi surpresa, até por ter o mando de quadra.Image title

Era um confronto ruim, por conta do Anthony Davis, e o Portland tem dificuldades em marcar caras grandes. Eu apostava numa vitória do Blazers em sete jogos, mas o Jrue Holiday e o Rajon Rondo desequilibraram, principalmente o Holiday que eliminou Lillard e McCollum, inclusive mentalmente. A varrida foi uma surpresa, mas a eliminação não, porque era uma série difícil. Para a próxima temporada, espero no máximo uma ida para os playoffs, até pela chegada do LeBron James no Oeste, que fica mais forte ainda, com vários times se fortalecendo. Vários times que não eram de playoffs estão ficando mais fortes. Com o Lakers, não dá pra prever LeBron fora dos playoffs. Quero ver também o Dallas Mavericks com Luka Doncic e Dennis Smith Jr., o Denver Nuggets com Isaiah Thomas saudável, o Phoenix Suns com DeAndre Ayton, Devin Booker e um núcleo jovem e um técnico novo e vencedor, o Memphis Grizzlies voltando com algumas peças novas. É uma conferência bem difícil. O Portland vai ter bastante dificuldade e não vou me surpreender se o time ficar fora dos playoffs, e isso pode acarretar uma saída de um dos dois (Lillard e McCollum). Se eu fosse técnico do Blazers, colocaria o McCollum sexto homem pra não jogarem os dois juntos, mas acho bem possível que na próxima temporada um dos dois pode ser trocado por alguém com outro estilo mais complementar.

Hoop78: Nós vemos uma nova geração de jogadores brasileiros entrarem na NBA e sofrerem com poucos minutos e pouca confiança de seus times, como os casos do Lucas Bebê, Bruno Caboclo e Cristiano Felício. Dentre os jovens apenas o Raulzinho, do Jazz, consegue ter um certo destaque no seu time. Para muitos o Yago Matheus do Paulistano será o próximo brasileiro a integrar essa lista de jogadores da NBA. Você vê os jogadores daqui tendo mais destaque no futuro nessas ligas maiores ou ainda é um sonho muito distante?

Ricardo Bulgarelli: Infelizmente não vejo os jogadores brasileiros tendo espaço na NBA num futuro próximo. A gente tem dificuldade de formar jogadores na posição três (ala) por exemplo. A gente vê o Marquinhos recebendo pedidos pra continuar na seleção por causa disso, e se a gente tá com dificuldade de formar jogadores nessa posição, que é a mais versátil e requisitada na NBA, acho pouco provável vermos novos jogadores brasileiros na NBA num futuro próximo. O Lucas Bebê é um cara esforçado e que busca contribuir, mas a NBA vem se afastando de jogadores de garrafão então é mais provável vermos ele continuar a carreira na Europa. O Bruno Caboclo é uma incógnita, a gente viu ele pouco em quadra. É uma pena, até pela escolha de Draft (20ª) que ele saiu, a expectativa era grande pelo potencial e pelo tamanho dele. Infelizmente parece que ele não soube aproveitar as oportunidades lá. O Felício sim parece um cara que é batalhador, trabalhador. Conseguiu um bom contrato no Chicago Bulls, pode agregar em alguns minutos, mas tem que melhorar em arremesso pra ter sobrevida na NBA. O Raulzinho está em um time de ponta, com concorrência muito grande. Mas é um cara dedicado, muito inteligente, deve ser o brasileiro que vai ter mais tempo na NBA desses todos, inclusive que o Nenê, que está mais veterano e perdendo espaço no Houston Rockets, por mais que seja na minha opinião o melhor brasileiro que já passou pela NBA.

"Infelizmente não vejo os jogadores brasileiros tendo espaço na NBA num futuro próximo." - Ricardo Bulgarelli.

Hoop78:  Essa offseason já nos presenteou com trocas surpreendentes e que, com certeza, vão mudar muito o cenário da NBA neste ano. Kawhi Leonard agora está no Toronto Raptors, LeBron foi para Los Angeles, DeMarcus Cousins vai buscar o anel no Golden State Warriors e Carmelo Anthony se juntou a Chris Paul e James Harden em Houston. Como torcedor do Phoenix Suns eu não espero muito, mas o que esta temporada nos reserva, na sua opinião? Alguém será capaz de bater de frente com Golden State ou a chegada de Cousins só tornou tudo mais fácil para eles e realmente arruinou a NBA?

Ricardo Bulgarelli: Eu acho que nessa temporada já temos um campeão. A não ser que aconteça algo muito surpreendente, o Golden State Warriors vai ser tricampeão. O DeMarcus Cousins é um cara que não precisa dominar o jogo pro Warriors ser supertime, mas pra ele vai ser uma boa pra se recuperar da lesão e se firmar novamente na liga. É um jogador que domina demais o garrafão, que todo time gostaria de ter, apesar desse problema extra quadra e de ser um cabeça quente. Mas na minha opinião, Golden State é muito favorito, mas isso não quer dizer que a NBA não vai ser fantástica. Tem várias estórias legais como LeBron James indo para o Lakers e para a conferência Oeste. Essa ida do Carmelo Anthony pra Houston, mesmo eu não sendo favorável, se ele se sujeitar a ser reserva e fazer uma outra função com mais dinamismo ele pode agregar. O Kawhi Leonard em Toronto pode tentar ser campeão do Leste sem LeBron na conferência. Só não concordei com a demissão do Dwane Casey, até pela saída do LeBron do Leste, o Casey merecia tentar ganhar a conferência sem LeBron por lá. O Boston Celtics tem uma molecada se desenvolvendo e seus dois astros, Kyrie Irving e Gordon Hayward, saudáveis. São várias estórias acontecendo que vão deixar a liga muito interessante pra se assistir mesmo com o Warriors muito forte. Isso faz parte da NBA, não foi nenhuma trapaça. O Warriors viu uma chance de se reforçar e o Cousins decidiu se reestabelecer numa boa situação e valorizar seu passe no próximo ano, mas isso não arruína a NBA, longe disso. Além disso, sempre tem boas surpresas como ano passado tivemos o Donovan Mitchell por exemplo.

"São várias estórias acontecendo que vão deixar a liga muito interessante pra se assistir mesmo com o Warriors muito forte." - Ricardo Bulgarelli.

Hoop78: Para terminar nossa entrevista, algumas perguntas rápidas. Quais são seus jogadores e times favoritos?

Ricardo Bulgarelli: Na atualidade, o cara que mais gosto de ver jogar é o Kawhi Leonard. É um cara quieto, focado, agressivo nos dois lados da quadra. Ele entra em quadra pra trabalhar. Além dele, caras como Kevin Durant, LeBron James. Outros como Chris Paul, que pra mim ainda é o melhor criador de jogadas da liga. Mas de todos o que mais gosto mesmo é o Kawhi.

No passado, meus maiores ídolos são Dominique Wilkins, Michael Jordan, Vince Carter, Hakeem Olajuwon, Clyde Drexler, Drazen Petrovic, Arvydas Sabonis, vários outros europeus como esses dois e o Alexander Djordjevic, atual técnico da Sérvia e que jogou em Portland com passagem discreta. O Pedrag "Sasha" Danilovic que jogou no Miami Heat. Amo o Manu Ginobili, pra mim o maior sul-americano da história.

Quanto a times da atualidade gosto do Philadelphia 76ers, o Milwaukee Bucks por conta do Giannis, o Boston Celtics pelo Brad Stevens, o Golden State Warriors pela qualidade individual dos caras. Acho que temos que aproveitar a oportunidade de ver grandes caras que vão marcar época em quadra.

Bulgarelli e Aleksandar Petrovic, técnico da seleção brasileira de basquete e irmão de Drazen Petrovic.Na foto, Bulgarelli e Aleksandar Petrovic, técnico da seleção brasileira de basquete e irmão de Drazen Petrovic.

Hoop78: Qual foi o melhor momento da sua carreira como jornalista esportivo?

Ricardo Bulgarelli: Acho que um momento impactante foi meu primeiro All-Star Game in loco, em 1998. Eu estava de férias, mas fui credenciado pela ESPN pra assistir. Vi o Michael Jordan do meu lado e peguei no braço dele pra ver se ele era de carne e osso mesmo. Acho que é um dia que me marcou muito. Também a minha primeira transmissão no Sports+, um ex-canal de esportes da Sky que foi minha primeira partida comentada. A primeira final da Euroliga que transmiti na Sports+. Também minha volta para a ESPN como comentarista após doze anos. A minha primeira transmissão do NBB no Twitter, além dessa primeira temporada completa no NBB fazendo jogos in loco que dá uma emoção diferente. É difícil escolher apenas um momento mais importante e impactante.

Hoop78: Qual jogo ou evento que você não fez a cobertura mas que gostaria de ter feito?

Ricardo Bulgarelli: Gostaria de ter feito os jogos olímpicos do Rio. Todo mundo sonha em fazer uma Olímpiada, acho que é um sonho pra todos do ramo. Tinha acabado de chegar nos canais ESPN e não tive a possibilidade de fazer. Gostei também de fazer in loco a final do mundial de Indianapolis em 2002, Sérvia X Argentina, o contato com todos os jogadores estrangeiros é algo que não vou esquecer tão cedo.

Hoop78: Como você e o Rômulo conseguem pensar em tantos ‘’hits’’ de sucesso para cantar durante as narrações?

Ricardo Bulgarelli: O Rômulo é um cara que pensa à frente dos demais. É um cara que tem sacadas muito rápidas e é muito antenado nas coisas da vida, sejam as pequenas ou grandes. Tem muita sacada de música, de palavras. Se você entrar na vibe dele, você consegue também captar e pensar as bobagens. Não tão rápido quanto ele, mas cabe ao narrador que comanda a transmissão executar as bobagens, então eu deixo isso pro Rômulo, que faz com primazia, e aí eu acabo participando do surgimento das brincadeiras, que acho que acontecem na medida certa. Ele é um cara que estuda muito, então dá o tom de uma coisa descontraída, mas muito informativa. É um cara apaixonado por basquete e por NBA. É muito legal fazer parte das transmissões com ele e também com o Everaldo (Marques), com o (Fernando) Nardini, com o Renan do Couto, com o Ari (Aguiar) e todos os narradores com quem eu trabalho.

Hoop78: E a última pergunta: Ainda tem algum sonho como jornalista que você deseja realizar?

Ricardo Bulgarelli: Gostaria muito de fazer in loco uma Final da NBA, uma final olímpica e uma final de mundial como comentarista. Já tive oportunidade de fazer a final do mundial como produtor, editor e coordenador dos canais ESPN, mas não fui que comentei o jogo. Então comentar esses três eventos in loco eu gostaria muito.

Hoop78: Obrigado novamente pela entrevista, Ricardo! Foi um prazer ter você aqui na Hoop78 e já estamos ansiosos para um próximo encontro!

Ricardo Bulgarelli: Gostaria de fazer um agradecimento especial a todos do Hoop78, um site fantástico que acompanho. Renato, Romanelli, Guilherme, você (Rafael), Thiago e todos da equipe. São caras incríveis, dedicados, fazem com amor. Dedicados ao site e tudo que envolve o basquete, não somente dentro das quadras, a parte do extra quadra fundamentalmente é algo que vocês fazem com maestria, mostrando quadras, roupas, marcas, mostrando histórias, contando estórias. Não só ficando dentro das quadras, mas também fora delas, porque o basquete vai muito além. 

Dá um play e confira o que rola no nosso som!