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As três aposentadorias mais marcantes da história da NBA

Ricardo Romanelli
Ricardo Romanelli

Quando pensamos no final da carreira de um astro da NBA, normalmente é um jogo de despedida tímido, quase que meramente cerimonial. Afinal, eles vão enfrentando um declínio natural ao longo dos anos, conforme envelhecem, o que faz com que o momento em que deixam as quadras tenha distância considerável de seus anos de auge.

Apesar disso, alguns atletas desafiam essa lógica e se aposentam de maneira espetacular, fazendo todos lembrarem de seus anos de domínio e deixam na torcida um gostinho de “quero mais”. Existem três excelentes jogadores que fizeram isso melhor do que ninguém em seus jogos derradeiros.

Kobe Bryant

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Após 20 anos de carreira com cinco título na NBA, Kobe Bryant decidiu abandonar o basquete ao final da temporada 2015-16. Com muita festa, sua última passagem por cada cidade ao redor da liga foi bastante celebrada, e não poderia ser diferente na partida derradeira, disputada em pleno Staples Center, casa do Lakers.

A expectativa era de uma grande festa, mas sem uma grande atuação. Com muitas lesões nos anos anteriores a sua aposentadoria, Kobe já não era mais o mesmo, e registrou tímidos 17,6 pontos por jogo nesta campanha, uma marca bastante tímida se comparada a seu auge na década anterior.

Mas o destino quis diferente. Kobe anotou incríveis 60 pontos contra o Utah Jazz, e deixou o Staples Center em êxtase, inclusive diante de lendas do Lakers e do esporte que estavam assistindo, como Shaquille O’neal, Magic Johnson e Allen Iverson. Sua pontuação representou quase 60% dos 101 pontos anotados pelo Lakers na partida, enquanto que no equilibrado ataque do Jazz, ninguém superou a marca de 20 pontos no jogo.

Terminada a magistral atuação, que foi disparada a maior marca de pontos de um astro se aposentando na história, Kobe tomou o microfone e se dirigiu à plateia do Staples Center, agradecendo pelos 20 anos de apoio, e finalizou com “Mamba Out”, antes de deixar o microfone no chão e sair de cena com uma conclusão brilhante.

David Robinson

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David Robinson liderou o San Antonio Spurs durante a maior parte dos anos 90, mas foi só com a chegada de Tim Duncan que a fortíssima dupla de garrafão conquistou títulos na NBA. Depois de vencer em 1999, o Spurs chegou às Finais de 2003, temporada que seria a última de Robinson na liga.

Contra o New Jersey Nets, adversário nesta decisão, o Spurs fez uma série disputada que chegou ao sexto jogo na casa do rival. Vencendo por 3 x 2, o time do Texas precisava vencer para fechar a série e evitar um sétimo e derradeiro jogo.

Duncan foi a estrela do jogo, beirando um quadruplo duplo com 21 pontos, 20 rebotes, 10 assistências e 8 tocos. Ironicamente, seu companheiro Robinson foi um dos pouquíssimos atletas a marcar um quadruplo duplo na história da NBA, em 1994, quando vivia seu auge.

Mas mesmo estando a um passo da aposentadoria,  Robinson foi essencial para garantir a vitória do Spurs nesta partida. Com 13 pontos, 17 rebotes, 2 tocos e uma excelente performance defensiva, o Almirante, como era conhecido, se aposentou com as glórias de seu segundo título da NBA e deixou o comando do time nas seguras mãos de Duncan.

Bill Russell

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Bill Russell é o maior campeão da história da NBA, com 11 títulos em 13 anos de carreira. Não deveria ser surpresa para ninguém o fato dele ter se aposentado ganhando mais um anel, mas a forma como aconteceu o título de 1969 é digna de filme.

O rival era o Los Angeles Lakers, que perdeu sete finais para o Celtics durante a carreira de Russell (incluindo essa). Neste ano, entretanto, o Lakers era favorito. O time tinha feito uma troca antes da temporada para adquirir Wilt Chamberlain, maior rival de Russell, e montou o primeiro “super time” da história ao colocar Chamberlain ao lado de Jerry West e Elgin Baylor. O time de Los Angeles dominou a temporada regular e alcançou a segunda melhor campanha da liga, com 55 vitórias.

Já o Celtics, no final de ciclo com Russell, que tinha 35 anos, tinha um time envelhecido e cansado, que ainda assim foi suficiente para alcançar o quarto lugar de sua divisão, com 48 vitórias. Russell atuou como jogador e técnico nesta temporada, e Sam Jones, um de seus principais pontuadores, foi mal na campanha. Mesmo assim, passou pelos melhores classificados Philadelphia 76ers e New York Knicks nos playoffs, e chegou para a decisão contra o favorito Lakers.

Pela primeira vez em todas essas disputas, o Lakers tinha mando de quadra contra o Celtics nas Finais, e a série chegou a um derradeiro jogo 7. Antes desta partida, em clima de “já ganhou”, o dono do Lakers, Jack Kent Cooke, mandou colocar balões no teto do Forum de Inglewood, arena onde o time disputava seus jogos, para que caíssem sobre a quadra em comemoração ao título logo após o jogo. Jerry West ficou furioso ao saber disso, pois considerava um mau presságio, mas não adiantou. Os balões foram colocados lá.

É claro que o Celtics ficou sabendo disso, e usou como motivação. Liderado pelos 26 pontos de John Havlicek e 24 de Sam Jones, o Celtics tinha poder de fogo suficiente para superar os espetaculares 42 pontos de Jerry West pelo Lakers. Russell, como sempre, teve grande impacto defensivo, e terminou a partida com 21 rebotes e vários tocos, que não eram registrados oficialmente na época. Ao final, o veterano Russell e seus Celtics tinham vencido o Lakers e Wilt Chamberlain mais uma vez antes que tudo acabasse.

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