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NBA por quem entende do assunto: expectativas para a temporada

Ricardo Romanelli
Ricardo Romanelli

A convite do Hoop78, algumas das principais personalidades que cobrem a NBA no Brasil nos deram sua perspectiva sobre a nova temporada da NBA, iniciada nesta semana. Pedimos a eles que destacassem quais os principais pontos e nuances que eles estariam de olho nesta campanha, e o que esperam que seja destaque em 2018-19.

Foram ouvidos Alana Ambrósio (ESPN), Marcus Vinicius Martins (ESPN), Pedro Brodbeck (Dois Dribles), Pedro Moreira (The Playoffs), Ricardo Stabolito (Jumper Brasil), Rone Amabile (@Roma7Seven). Confira a opinião de cada um deles:

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Alana Ambrosio - ESPN

Acompanhe a Alana no Twitter: @alanaambrosio

"Essa temporada será boa para entendermos quais serão as novas forças da NBA"

Essa temporada será boa para entendermos quais serão as novas forças da NBA. Como é de praxe na melhor liga de basquete do mundo, supertimes se formam por períodos indeterminados – geralmente enquanto o roster se mantiver minimanete parecido com o que deu certo do início. 2018-2019 me parece um desses pontos de transição de dinastias.

Com a saída de LeBron James para uma equipe composta majoritariamente por novatos e depois completada com veteranos inusitados, a incógnita ficou ainda maior. Isso sem mencionar as inúmeras mudanças de franchise players. Leonard no Raptors, DeRozan no Spurs, Melo nos Rockets, Butler pedindo pra sair dos Wolves, Boogie nos Warriors...a confusão é geral sobre qual será a ordem, principalmente do lado leste, totalmente em aberto (com favoritismo dos Celtics à parte).

A regular season vai dar o tom sobre qual será o perfil dos times recém moldados: quem vai com força pro rebuild e quem completará processos iniciados anteriormente para se sagrar como um dos postulantes ao título.

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Marcus Vinicius Martins - ESPN

Acompanhe o Marcus no Twitter: @MVMartins84

"LeBron é um projeto de médio/longo prazo, mas o Larry O´Brien é curto prazo."

A partir do momento em que Magic Johnson acertou com LeBron James por 4 anos, começou a jogar blackjack - o famoso 21. Papai Hollywood pediu paciência, eles não colocaram o núcleo jovem à disposição para trocas por superestrelas (como poderiam ter feito por Kawhi), mas o tempo urge e eles terão escolhas difíceis pela frente.

King James pode não ter vencido tanto quanto se esperarava dele - coletivamente falando - mas é um vencedor. Quanto tempo ele pode esperar até que a franquia seja uma desafiante ao título? Com certeza, pouquíssimo tempo. O relógio está contra ele.

Dificilmente ficaremos sem algum tipo de movimentação até o fim da temporada. Mas em quem eles devem apostar? Quando? Pelinka e Magic cercaram LBJ e a molecada de veteranos casca grossa, com contratos de 1 ano. Fle-xi-bi-li-da-de. É sabido que as duas franquias de L.A. irão com tudo para cima de Kevin Durant, mas qual a possibilidade de ele deixar os Warriors? Kawhi Leonard, idem. No caso do ex-Spurs, a história de Paul George serve de lição: "franquias de aluguel" podem sim conquistar o coração dos jogadores. Jimmy Butler está à procura de uma nova casa, mas duvido que a sombra de James o agradaria. Já o papo de Anthony Davis em Los Angeles, esse sim, me deixou curioso...

Mais da metade do elenco é composta por caras em contrato de novato (de novo, fle-xi-bi-li-da-de). O que impede a franquia de já começar a se movimentar em busca de ajuda para LeBron? Honestamente, nada. O que vai ser determinante? A paciência dele, o melhor jogador da NBA no momento. Espera-se que a curva de aprendizado dos jovens talentos seja acentuada, mas não tenham a menor dúvida, a pressão será enorme. E pior: não necessariamente, quem render, vai ficar. Talvez, até por isso, entre na mira de outras franquias.

O Lakers é uma franquia tradicionalmente famosa pelas grandes estrelas. A molecada vai ser sacrificada no processo de montagem, não tenham dúvidas. Resta saber quem e mais importante: por quem? O simples acúmulo de superestrelas passou longe de ser um sucesso na história recente (Lembra de Karl Malone e Gary Payton de roxo e dourado? E o BIG 3 formado por Nash/Howard/Kobe?). Até Damian Lillard parece estar sendo cogitado... Antes da metade da temporada, creio que as coisas fiquem bem claras. LeBron é um projeto de médio/longo prazo, mas o Larry O´Brien é curto prazo. O "Ás" eles já tem, resta saber qual combinação de cartas vai deixar esse time em posição de desafiar a dinastia em construção do Golden State Warriors.

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Pedro Brodbeck – Dois Dribles

 Acesse o site: doisdribles.com.br / Acompanhe o Dois Dribles no Twitter: @BlogDoisDribles

"Prevejo que este seja um daqueles anos que acompanhamos uma mudança no protagonismo do jogo"

O que mais me empolga para essa temporada é a expectativa de acompanhar a evolução da próxima geração de estrelas que está prestes a amadurecer na liga - especialmente porque o Golden State Warriors está cada vez mais forte e acho difícil imaginar que algum time vá bater o atual campeão, apesar disso ser possível de acontecer.

Jayson Tatum, Donavon Mitchell e Ben Simmons foram espetaculares nas suas temporadas de estreia e, levando em conta o que fizeram nos playoffs, prometem ser ainda melhores neste ano, Markelle Fultz parece ter resolvido seu problema físico e sua mecânica bizarra de chute, Lonzo Ball vai poder só jogar bola com os holofotes sobre Lebron no Lakers, entre outros.

Prevejo que este seja um daqueles anos que acompanhamos uma mudança no protagonismo do jogo e acompanhar isso acontecendo diante dos nossos olhos é o que mais me anima para a temporada.

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Pedro Moreira - The Playoffs

 Acesse o site: theplayoffs.com.br / Acompanhe o The Playoffs no Twitter: @ThePlayoffsBR

"Aos 19 anos e com três prêmios de MVP europeus somente em 2018, o jovem [Doncic] vem com todos os holofotes."

Luka Doncic, o calouro do ano: se cravar o esloveno Luka Doncic como vencedor do prêmio de calouro do ano parece um tanto quanto prematuro neste momento, falar que ele será o calouro do ano, em termos de visibilidade e expectativa sobre, parece que não. Aos 19 anos e com três prêmios de MVP europeus somente em 2018, o jovem vem com todos os holofotes.

Para muitos, inclusive para mim e David Blatt, para citar um exemplo, foi surpreendente sua não seleção como primeira escolha do Draft 2018. Sorte do Dallas Mavericks, que o escolheu na terceira posição e pode aproveitar o jogo do esloveno, que, diferente da maioria dos calouros, já vem com os fundamentos lapidados e experiência muito acima da média para a idade.

Presença constante na rotação do tradicionalíssimo Real Madrid desde os 16 anos, Doncic tem tudo para ser sim um dos melhores europeus da história da NBA, traçando uma trajetória de identificação com sua franquia tal qual Kristaps Porzingis vem fazendo no New York Knicks, ou mesmo, em outro patamar, seu companheiro Dirk Nowitzki, a 21 temporadas com os Mavs. Se Doncic vai vencer o prêmio de calouro do ano, não sei, mas que ele vai ser o calouro do ano, isso se pode esperar.

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Ricardo Stabolito – Jumper Brasil

 Acesse o site: jumperbrasil.com.br / Acompanhe o Stabolito no Twitter: @StabolitoJumper

"A disputa virtualmente aberta na conferência Leste, motivada pela saída do próprio LeBron do Cavaliers, é o ponto mais interessante da temporada para mim."

É preciso admitir que o torcedor casual, aquele que assiste só para saber quem vai ser campeão, não deve gostar muito dessa temporada. O Warriors é mais favorito do que nunca para levantar o troféu Larry O’Brien – menos por DeMarcus Cousins, mais pelo entrosamento do time e à minha impressão de que o concorrente mais perigoso (Rockets) pode ter piorado.

Mas um bom filme não se faz pelo final, mas pela jornada. E eu estou interessado nessa história.LeBron James no Lakers, o “rei” em Los Angeles, é a parte mais chamativa dessa jornada: uma decisão que pode (deve?) alterar a NBA como competição e mercado pelos próximos anos, aquilo de que todos estão falando. Mas, particularmente, eu prefiro as narrativas dentro das quatro linhas.

A disputa virtualmente aberta na conferência Leste, motivada pela saída do próprio LeBron do Cavaliers, é o ponto mais interessante da temporada para mim. Temos seis ou sete times que acreditam – mais ou menos realisticamente, a depender do caso – que podem ser campeões no Leste. O Celtics é o claro favorito, mas admito que Raptors e Pacers estão mais fortes. Sixers e Bucks são perigosos pelo nível de talento e particularidade dos elencos. Jimmy Butler pode chegar a qualquer time nas próximas semanas e mudar a dinâmica de forças na conferência. Se tudo parece bem definido no Oeste, a competição no Leste é para ser acompanhada de perto.

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Rone Amabile - @roma7seven

 Acompanhe o Roma Seven no Twitter: @roma7seven

"Eu desejo honestamente uma grande temporada, daquelas de encher os olhos e nos deixar embasbacados."

Desejo que Markkanen se concretize como uma estrela do futuro próximo, que o Suns desencante no talento dos jovens, que Rose, Conley e outros desafortunados consigam ter um temporada saudável, que Simmons e Embiid sejam um power duo tal qual Payton e Kemp ou Stockton e Malone. Que as contusões graves sejam zero, afinal, podemos desejar até mesmo o quase impossível.

Eu desejo honestamente uma grande temporada, daquelas de encher os olhos e nos deixar embasbacados.. “Como isso é possível?” e não querer saber a resposta, pois o encantamento é mais saboroso.

Preciso desejar as boas coisas, mesmo que não façam sentido. Pois muitos caminhos escolhidos pela liga tem sido desanimadores.

Quero também desejar que a NBA não se descaracterize cada vez mais nas mãos sedentes por dinheiro de Adam Silver.

Mas acima de tudo, eu desejo que nunca mais gravem o Kawhi dando uma risada.

A lista de desejo é enorme, tal qual provavelmente é a sua que está lendo nesse momento. Deseje, permita-se encantar. As vezes precisamos lembrar de olhar o mundo com menos cinismo.

Qual é o seu desejo?

Ahh… e que Lukinha continue craque, lindo e maravilhoso.

Dá um play e confira o que rola no nosso som!