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Jogadores das ligas americanas confessam fumar maconha. O que vem adiante?

Renato Campos
Renato Campos

O assunto é polêmico em qualquer âmbito social, imagine no profissional. A cultura da maconha dentro do esporte sempre foi algo muito discutido e até hoje, sem muita solução. Sabemos que muito se estuda em relação ao quanto ela atrapalha ou ajuda o rendimento do indivíduo, e também de punições em relação ao uso, mas nunca a um conclusão sensata.

Recentemente o comissário da NBA Adam Silver deu uma entrevista ao jogador C.J.McCollum, que também é jornalista, falando exatamente sobre o assunto. De uma forma muito simples, Silver deixou claro que não seria problema a liberação da erva por parte da liga, mas que por razão dos estados americanos terem diferentes leis em relação ao assunto, a decisão da liga de não liberação se dá pelo fato de justamente evitar que seus jogadores tenham problemas com a lei de determinados locais.

A questão é que a verdade é uma só: atletas profissionais fumam maconha e alguns deles afirmam que fumam antes mesmo das partidas.

Eu havia fumado antes de todos os meus melhores jogos. Ok, não foram todos, mas em 15 anos de carreira, foram muitos. @MattBarnes

Em uma mesa redonda realizada recentemente pelo site Bleacher Report, Matt Barnes se juntou a ex-jogadores como Cuttino Mobley, Kenyon Martin, Al Harrington e alguns outros de outras ligas para discutir o assunto. E alguns com sua erva às mãos, contaram suas histórias ao longo de suas carreiras.

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Al Harrignton na Harrington Wellness: ex-jogador produz produtos derivados da maconha. 

Com a maconha legalizada para uso recreacional em nove estados, e em outros 29 para uso medicinal, a conversa nos Estados Unidos está mudando de rumo muito rapidamente. A Canabis continua a ser uma substância banida na NBA, NFL e MLB, mas os atletas estão começando a falar mais alto em relação a sua legalização.

De acordo com o site Bleacher Report, de 12 ex-jogadores entrevistados durante um período de dois meses, sete admitiram fazer uso da maconha durante suas carreiras, sinalizando o controle de dores, ansiedade, insonia - e também por simplesmente pelo prazer da sensação.

Acho a canabis a mais dinâmica planta de todo nosso planeta por tudo que ela pode proporcionar @AlHarrington

Bo Scaife, que jogou por seis temporadas na NFL, acredita que 80 por cento da liga fuma maconha. Martellus Bennett, que se aposentou da liga em março após 10 temporadas, vai mais longe. Para ele, 90 por cento da liga fuma a erva danada.

Tem períodos da temporada que seu corpo está tão machucado que você não quer ficar tomando comprimidos o tempo todo. Existem diversos tipos de anti-inflamatórios que você toma por um longo período de tempo. Eles começam a afetar seu fígado, seus ríns... Os humanos criaram os comprimidos. Deus fez a maconha. @MartellusBennett

Kenyon Martin, que jogou por 15 temporadas na NBA, estima que 85 por cento da liga fumou durante suas carreiras:

Muita gente fumava. Jogadores que você nunca diria que fumaria um dia, fumavam. @KenyonMartin

A verdade sobre os testes e suas regras

A NBA faz teste anti-drogas em jogadores seis vezes por temporada - o maior número de testes dentre todas as ligas americanas. O resultado positivo faz com que o jogador em questão entre em um programa de recuperação, enquanto um segundo teste positivo já multa este jogador em 25 mil dólares. Se o jogador testar positivo por uma terceira vez, ele será suspenso por cinco partidas. A cada teste positivo em diante, a punição soma sempre mais cinco jogos de suspensão.

A NBA é a única liga que testa aleatóriamente seus jogadores por uso da maconha. Por que estes testes não são feitos com o álcool. Por que não são feitos com esses comprimidos que nos destrõem por dentro? Você consegue me entender? Eles testam o uso da maconha porque eles sabem que gostamos de usar. @MattBarnes

Como mencionei no início da matéria, perguntado pelo Bleacher Report, o comissário Adam Silver se mostrou mais uma vez aberto a resolução da questão:

A maconha está na nossa lista de substâncias proibidas. Entretanto, nós estamos interessados em entender melhor a situação sobre a segurança e a eficácia do uso medicinal. @AdamSilver

Apesar do discurso do uso da maconha como próposito medicinal, existe também a preocupação dos males que a erva pode causar a seus jogadores. Um estudo feito em 2014 por uma série de universidades, inclusive Harvard, ligou alguns problemas cerebrais de jovens que faziam uso recreativo da maconha. Este estudo segundo Hans Breiter, professor de psiquiatria da Universidade de Northwestern, levanta um forte desafio a ideia de que o uso casual da maconha, não traga consequências ruins ao usuário.

A maconha, apesar de alivar a dor, ainda pode causar paranóia e alucinações que podem ter diferentes graus de acordo com cada pessoa. De qualquer forma, o professor listou aproximadamente 200 componentes da erva que podem provar que ela é sim, uma boa solução para o controle da dor e recuperação.

Os jogadores em questão que discutiram o assunto com o Bleacher Report, disseram que esperam que os jogadores que ainda tem suas carreiras ativas falem mais alto sobre a questão. De qualquer forma, o reforço de ex-jogadores parece ser crucial para que realmente a campanha ganhe força.

Agora que a canabis é legal, eu apoio ela no esporte. @GaryPayton

Alguns destes atletas ingressaram na indústria da maconha para buscar alternativas seguras para controle de dores e recuperação. Al Harrington por exemplo, tem uma linha de produtos derivados da maconha chamada 'Harrington Wellness'. Martin Scaife e o ex-armador Cuttino Mobley também estão envolvidos na indústria como investidores.

A conversa ainda pode levar um bom tempo para ter um conclusão sensata e que relamente seja para melhorar a condições dos atletas. O mercado norte-americano envolvendo a erva já movimenta milhões de dólares e os interesses comerciais não devem se sobrepor ao condicionamento físico dos profissionais.

Mas, será?


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