Espalhe por Whatsapp

O que você sempre quis saber sobre basquete e a NBA? Parte 1

Nesta parada da NBA e do mundo para combater a pandemia de corona vírus, abrimos nossas redes sociais para que nossos seguidores pudessem perguntar aquela curiosidade ou dúvida que sempre quiseram tirar sobre basquete e a NBA. O que não sabíamos, fomos atrás e pesquisamos para trazer as melhores respostas.

Esta é a parte 1, e já temos perguntas suficientes para pelo menos mais uma matéria com respostas. Continuem mandando perguntas em todas as nossas redes ou aqui na seção de comentários, pois enquanto existirem dúvidas, responderemos!

@fabio_torres: Por que o título do SuperSonics não conta pro Thunder mas os do Minneapolis Lakers contam pro Los Angeles Lakers?

Image title

Fábio, quando o acordo para comprar o Seattle SuperSonics e mover a franquia para Oklahoma City foi fechado em 2008, uma das cláusulas foi de que todos os recordes e conquistas do Sonics pertenceriam ao rebatizado Thunder por 5 anos, até 2013, ano em que uma nova franquia na cidade de Seattle poderia dividir estes títulos com o Thunder caso fosse criada até esta data.

Só que 2013 passou, já estamos em 2020 e nenhuma franquia nova se estabeleceu em Seattle. Com isso, todas as conquistas do Sonics são permanentemente do Thunder de forma isolada, inclusive o título de 1979. Também foi parte do acordo que diversos itens relativos à história do Sonics, incluindo aí o troféu de 1979, ficassem em exposição em um museu em Seattle sobre a história da cidade. O troféu está lá até hoje, mas com uma placa que diz “emprestado pelo Thunder”.

@rodrigo.srfm: Como funcionam odds? Tipo de chance de Vitória e tal. Sempre vejo uns dados desses e nunca entendo.

Image title

Rodrigo, em apostas as odds são calculadas conforme as probabilidades que cada resultado ou combinação de resultados tem de acontecer. As previsões seguem modelos matemáticos que levam em conta os resultados passados e análises que determinam a força de cada time naquele confronto específico. Isso gera uma probabilidade, em percentual, de que aquele resultado aconteça, e com isso nasce uma odd. Se existe uma probabilidade de 20% que um time vença, por exemplo, a banca vai pagar 5/1, ou seja, 5 unidades da moeda apostada para a vitória. Isto porque 5 x 20% = 100%.

@valenteandre_: Por que o basquete americano é focado em um campeonato único? Ao contrário do futebol ao redor do mundo que tem 2 ou 3 campeonatos nacionais (campeonato, copa e supercopa), continentais, e em alguns lugares até regionais?

Image title

André, está é uma questão cultural. Desde o começo, os esportes americanos se construíram ao redor de ligas e associações, onde os times são sócios na construção de uma liga e lucram a partir dela. Já o futebol se espalhou por um modelo que começou na Europa e se perpetuou na América do Sul, onde federações centralizadas organizavam os campeonatos e os times precisavam pagar para fazer parte destas competições, onde quem lucra é a federação. Hoje nem tanto, mas no começo estas federações eram normalmente parte do governo dos países, inclusive.

A diferença principal para o primeiro modelo é que os times que são parte de uma liga são donos dela e decidem quem entra e o que acontece com as receitas obtidas, enquanto que no segundo modelo é a federação que tem este poder. Existindo um ente centralizado como a federação, é natural que ele busque se expandir e criar subdivisões, torneios de base e similares, enquanto que no modelo de liga é mais vantajoso para os times se fecharem ao redor dela e investir no crescimento da própria liga. Mas apesar disso, é mais do que tudo uma questão cultural de como as competições esportivas se organizam nos EUA comparado ao resto do mundo.

Vale ressaltar que, por lá, o futebol segue a mesma lógica, enquanto que o basquete e outros esportes seguem o modelo federativo na maioria dos países. Há ainda casos de países com modelos mistos, como o futebol inglês e o basquete brasileiro, onde os torneios principais são ligas e os torneios inferiores ou de base são geridos por federações.

@pauloralio:Fora marketing, tem algum motivo adicional para acabarem com o tradicional uniforme branco em casa, colorido fora?

Image title

Antes da Nike assumir o contrato da NBA, em 2017, o sistema tradicional de cores de uniformes era branco (ou amarelo, no caso do Lakers) para times que jogavam em casa, colorido ou preto fora e mais uma camisa alternativa ou retrô para cada time. A Nike eliminou o sistema mandante/visitante e instituiu diversas versões de uniformes como Association, Icon, Earned, Statement e City Edition. As duas primeiras espelham as cores tradicionais dos times, enquanto que City Edition é em homenagem à cidade que a franquia está e Statement é uma versão inspirada na mentalidade dos jogadores. Já a Earned é uma versão especial apenas para times que se classificaram aos playoffs na temporada anterior. Com isso, as escolhas de cores passaram a ser mais versáteis e é a própria Nike, em conjunto com a liga e os times, que determina quais camisas serão usadas em cada jogo, levando em consideração até harmonia e contraste dos uniformes entre si e as cores da quadra, para deixar o jogo visualmente mais agradável.

@gabriel_freitas_batista Como funciona o draft? Nunca entendi direito, é o pior time da temporada que vai pegar o número 1?

Image title

Gabriel, a ordem do Draft obedece um sistema de probabilidades conhecido como “loteria”. Estas probabilidade foram alteradas na última edição para que os piores times não tivessem tantas chances de conseguir escolhas altas, como forma a incentivar a competitividade e punir times que vão mal de propósito para conseguir melhores escolhas (o famoso “tank”).

Atualmente as probabilidades estão como na tabela acima. A coluna "Seed" deve ser lida de baixo para cima, ou seja, a pior campanha fora dos playoffs vai ser a seed 1, e assim sucessivamente até o melhor time fora dos playoffs, que fica com a seed 14. Assim sendo, os três piores times têm uma chance de 14.0% cada de conseguir a primeira escolha do Draft.

Este sorteio acontece apenas com os 14 times que não se classificam para os Playoffs. Depois deles, os 16 times que se classificam para os Playoffs são ordenados conforme a campanha, com o time de melhor retrospecto na temporada regular tendo a última escolha.

@he.nrique96: E o plus-minus? Nunca entendi.

Henrique, o plus-minus é uma estatística que busca medir o impacto de um jogador em quadra. Basicamente é a diferença entre o saldo total de pontos que o time converte e defende quando ele está em quadra vs. quando não está.

Vamos a um exemplo. Suponha que o time anote 20 pontos e sofra 10 com um jogador em quadra. O saldo será +10.

@vics1lva: O que Foi Pick Territorial?

Image title

A pick territorial era uma modalidade de escolha de Draft que vigorou na NBA entre 1950 e 1966, e na extinta BAA na temporada de 1949. Basicamente, a regra permitia que as franquias abrissem mão de sua escolha de primeiro round em troca do direito de selecionar qualquer jogador no Draft que tivesse atuado por uma universidade num raio de 50 milhas (80 km) da cidade do time. A ideia era utilizar a popularidade de astros do basquete universitário para ajudar as franquias da NBA a se firmar localmente.

Alguns grandes atletas da história foram selecionados por esta regra, como Oscar Robertson, que atuava pela Universidade de Cincinnati e foi selecionado pelo Cincinnati Royals (atual Sacramento Kings), em 1960. Outros jogadores importantes que foram selecionados por esta regra foram Gail Goodrich (UCLA/Los Angeles Lakers) e Wilt Chamberlain, que foi um caso curioso de exceção da regra. Chamberlain jogava pela Universidade de Kansas, que não estava no raio de 50 milhas de nenhuma franquia da NBA na época. Como ele era um calouro muito cobiçado, o Philadelphia Warriors (hoje Golden State Warriors) pediu para ter o direito de escolha territorial sobre ele pelo fato do atleta ter nascido na Philadelphia. Como a liga precisava que a franquia crescesse naquele importante mercado, a exceção foi concedida e Wilt se tornou um Philadelphia Warrior.

Esta foi só a primeira parte deste especial, e seguiremos respondendo dúvidas e curiosidades até a NBA voltar, então continuem mandando suas perguntas!

Curta o som Hoop78!

Este pode ser o motivo pelo qual o Warriors ainda não fez uma troca esta temporada

Renato Campos
Renato Campos

Com o Warriors tendo uma temporada surpreendentemente bem-sucedida, mesmo sem o All-Star Klay Thompson, eles parecem mais candidatos aos playoffs a cada semana. Embora eles ainda estejam lutando para juntar as peças dessa quase nova escalação do Warriors, considerar fazer mais uma adição ao elenco pode ajudar a transformar o Warriors em um time de playoffs.

Adicionar outro jogador estrela ao elenco do Golden State seria de fato benéfico. No entanto, qualquer troca blockbuster que o Warriors poderia potencialmente propor incluiria mais do que provavelmente Andrew Wiggins, e o Warriors pode não estar pronto para se separar de seu armador ainda.

Andrew Wiggins pode ser o motivo

Um fator-chave para o sucesso dos Warriors atualmente, e por que eles têm sido capazes de acalmar os críticos da pré-temporada, é em grande parte o desempenho MVP de Stephen Curry nesta temporada. O Warriors foi de fato o pior time de toda a liga na temporada passada, com Curry jogando apenas cinco jogos, e é garantido que os resultados seriam os mesmos se não fosse por Curry. Ele tem uma média de 29,4 pontos, 6,1 assistências e 5,4 rebotes - tudo o que ele precisa para combinar com seus bons números são mais vitórias.

Curry não está apenas carregando uma carga ofensiva pesada para o Warriors, mas a escolha número 1 do draft da NBA de 2014, Wiggins, também se tornou um dos jogadores mais conceituados do time.

Esta temporada será a primeira temporada completa de Wiggins com a equipe e ele causou impacto em quase todos os jogos. Ele conseguiu se manter saudável e ser eficaz no lado defensivo contra o qual o Warriors está lutando. Seu crescimento como jogador no plantel do Warriors foi evidente. Em suas seis temporadas na NBA, embora ele tenha tido uma média de 20 pontos ou mais em três delas, sua porcentagem de arremessos não passou de 45,9%, até esta temporada com o Warriors.

Wiggins agora está atirando em 46,8%, que é o recorde de sua carreira. Ele também está liderando o time em tocos por jogo, assim como o time está tendo problemas defensivos nesta temporada.

Se o Warriors propusess uma troca de sucesso nesta temporada, eles teriam que igualar os salários do jogador que chegasse, que é onde Wiggins entraria em jogo. Ele está atualmente recebendo $ 29,5 milhões nesta temporada e deve $ 65 milhões nas próximas duas. No entanto, esse foi o preço que eles tiveram que pagar quando negociaram com D’Angelo Russell e conseguiram a escolha do primeiro turno do Timberwolves em 2021.

Wiggins fazendo jus ao seu salário

Além de pagar Wiggins, a equipe também tem Curry, Klay Thompson e Draymond Green, todos com contratos de alto salário. Então, para trazer um jogador de sucesso, trocar um desses quatro seria uma obrigação, e os três últimos provavelmente estão fora de questão.

No entanto, Wiggins fez um trabalho decente garantindo que seu nome não fosse mencionado em rumores de troca até agora. Ele está atualmente com uma média de 17,6 pontos nesta temporada e se esforça para desbloquear todo o seu potencial no elenco do Warriors e ajudar o time a chegar aos playoffs.

No entanto, ainda há uma grande chance de que o Warriors possa aumentar seu ritmo e lutar por uma classificação mais alta. A equipe está atualmente apenas 2,5 jogos atrás do Suns, que está em quarto lugar na Conferência Oeste. O Warriors também teve uma dos calendários mais difíceis da liga até agora.

A melhora no jogo de Wiggins pode ser a razão pela qual o Warriors não se envolveu em uma troca blockbuster, embora o prazo da NBA não seja até 25 de março. Mas, com Wiggins ainda no elenco, a equipe pode ter um futuro brilhante.

Curta o som Hoop78!