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O que você faz no Draft, não fica só no Draft

Thiago Agovino
Thiago Agovino

A noite do Draft talvez seja um dos momentos de maior ansiedade no calendário da NBA. Muita gente diz que é loteria, bom, em partes sim, mas também existe muito estudo e monitoramento envolvido.

Quando se opta por realizar uma troca, a noite do Draft já levou muita gente ao céu, mas muita gente lá para baixo. As trocas que acontecem no Draft deveriam seguir o ditado famoso da cidade de Las Vegas, mas totalmente ao contrário. O ditado original diz que “O que se faz em Vegas, fica em Vegas”. Já o que se faz no Draft meu amigo, ecoa pela eternidade.

Que tal conhecermos algumas das trocas que já aconteceram e os resultados que elas proporcionaram aos envolvidos? Pensa que é fácil ser gerente geral?


O Phoenix Suns “vende” Rajon Rondo

O Suns tinha a 21ª escolha no Draft de 2006 e usou para selecionar o armador de Kentucky, Rajon Rondo. Em seguida, ele foi trocado por valores em dinheiro e uma escolha de primeira rodada no Draft de 2007 (que foi vendida também no ano seguinte). Na época, Phoenix tinha um time que competia para chegar às Finais e limpar a folha salarial, por vezes, é o melhor negócio para contratar um veterano como reforço.

Agora, imaginem se o Suns tivesse permanecido com Rajon Rondo. Ele iria se desenvolver sob a tutela de Steve Nash, na época MVP da NBA. Rondo acabou campeão com Boston em 2008.


O Chicago Bulls troca LaMarcus Aldridge por Tyrus Thomas

LaMarcus Aldridge e Tyrus Thomas eram dois dos melhores alas-pivôs no Draft de 2006. O segundo, um jogador extremamente atlético e segundo especialistas com um alto potencial de desenvolvimento.

Como o Blazers estava de olho em Aldridge, o Bulls acertou uma troca onde selecionariam Aldridge com a segunda escolha e o enviariam para Portland, enquanto o Blazers pegaria Thomas com a quarta escolha. Para finalizar o negócio, Chicago também recebeu Viktor Khyrapa e mandou para o Blazers uma escolha de segundo round no Draft.

Enquanto LaMarcus foi o cara em Portland nos nove anos seguintes, com médias de 19.4 pontos e 8.4 rebotes, além de ter sido nomeado para o time All-Star por 5 vezes, Thomas atuou por apenas 2 anos e meio no Bulls antes de ser trocado para o Charlotte Hornets.


Kawhi Leonard para o Spurs, George Hill para o Pacers

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Após a temporada 2010-11, depois de ser eliminado dos Playoff’s por três anos seguidos, o San Antonio Spurs queria mudar. Era preciso ficar mais jovem.

George Hill era um bom armador reserva para o time, querido pela torcida e pelo treinador Gregg Popovich, mas decidiu-se que era hora dele partir. A proposta feita ao Indiana Pacers, detentor da 15ª escolha no Draft de 2011, foi a seguinte: recebam Hill e a escolha de vocês é nossa. O negócio foi fechado e com esta escolha o Spurs selecionou Kawhi Leonard.

George Hill não foi um desastre para o Pacers, afinal, contribuiu muito para que o time chegasse à duas Finais de Conferência no Leste, mas Leonard foi fundamental em duas campanhas rumo às Finais da NBA em San Antonio, com um título conquistado e de quebra sendo o MVP das Finais em 2014.


O Wolves troca o novato Ray Allen

Este foi o famoso Draft de 1996, e Ray Allen foi a quinta escolha feita pelo T’Wolves. Stephon Marbury foi escolhido na quarta posição pelo Bucks e interessava muito a Minnesota. A troca simples de um por outro foi feita.

Marbury era um grande talento, mas ficou apenas três temporadas no Wolves e se mostrou um grande jogador problema em todos os times que passou. Já Ray Allen foi duas vezes campeão da NBA e o líder em bolas de três convertidas em toda a história da Liga.

Se Minnesota não tivesse decidido trocar Allen, imaginem a dupla que ele faria com Kevin Garnett!. Os dois ainda seriam companheiros de time no futuro, mais precisamente em 2008, no time campeão do Boston Celtics.


Dirk Nowitzki vai para Dallas

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Se o Bucks se deu bem na troca onde recebeu Ray Allen, aqui foi um desastre total. A decisão de trocar a nona escolha no Draft de 1998, um tal alemão chamado Dirk Nowitzki por Robert Traylor e Pat Garrity, foi uma das piores da história.

Traylor, já falecido, jogou apenas dois anos em Milwaukee e seis no total na NBA, com média de 4.8 pontos na carreira. Em compensação, Nowitzki foi um jogador alicerce de franquia em Dallas e um dos melhores jogadores internacionais da história. Ele conquistou um título com o Mavs em 2011 e foi MVP das Finais contra o super time do Miami Heat de LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh.


McHale e Parish para o Celtics

Se hoje o Golden State Warriors é uma força em gestão, o passado já foi muito cruel. E o lendário Red Auerbach, do Boston Celtics, era mestre em aproveitar oportunidades.

Ele trocou as escolhas nº 1 e nº 13 no Draft de 1980 para o Warriors pela terceira escolha e o pivô Robert Parish. Nesta terceira posição, os Celtics escolheram Kevin McHale. Junto com Parish, eles formaram um trio espetacular com Larry Bird, vencendo 3 títulos da NBA!

O Warriors selecionou Joe Barry Carroll na primeira posição e Rickey Brown com a nº 13. Joe Barry foi uma peça sólida na equipe, mas Boston foi quem se deu muito bem.


SuperSonics troca Scottie Pippen

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Esta também ficou na história e não muito bem para o Seattle. No Draft de 1987, o Seattle SuperSonics selecionou Scottie Pippen na quinta posição, porém, em seguida realizaram uma troca com o Chicago Bulls para obter o pivô Olden Polynice e futuras escolhas de Draft.

Você já ouviu falar de Polynice? Se não, fique tranquilo, seria difícil saber mesmo. Quem se deu bem foi o Bulls, que obteve um jogador de Hall da Fama e que, ao lado de Michael Jordan, trouxe seis títulos da NBA para Chicago. Imagina se o Sonics tivesse ficado com Pippen e formado um super trio com Gary Payton e Shawn Kemp?


Charlotte Hornets cede Kobe Bryant para o Lakers

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Selecionar jogadores muito jovens sempre foi um risco. Talvez, sabendo disso e também sabendo que um tal Kobe Bryant sonhava em jogar por um time roxo e dourado, o Charlotte Hornets não teve dúvidas com a sua 13ª escolha no Draft de 1996 e a negociou com os Lakers.

Jerry West, na época gerente geral do L.A. tinha visto um treino de Bryant e desde então estava obcecado em adquirir o jovem jogador, que tinha optado por não ir para a faculdade e entrar direto na NBA.

A troca não parecia ruim no papel. O Hornets acabou recebendo Vlade Divac, um ótimo pivô, mas ele só ficou dois anos em Charlotte. O Hornets trocou ele para o Sacramento Kings, onde Divac ajudou a franquia a se tornar um dos melhores times da NBA. E Kobe Bryant? Bom, não precisa nem falar muito. Foram cinco títulos, jogos históricos e vinte anos vestindo o uniforme do Lakers.


O Boston Celtics adquire Bill Russell

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Esta é considerada por muitos a melhor troca em dia de Draft da história da NBA. Boston tinha a terceira escolha no Draft de 1956, mas estavam de olho em no pivô Bill Russell. O time do St. Louis escolheu Russell com a segunda escolha.

O lendário Red Auerbach então mostrou porque ele foi um dos melhores. O técnico/GM arquitetou um negócio que enviou Ed McCauley e Cliff Hagan por Russell. Mesmo que McCauley tenha tido uma carreira que o levou ao Hall da Fama, ele não era Bill Russell.

Bill se tornou um dos melhores da história, foi o pivô do time fantástico dos Celtics que venceu dez títulos em onze campeonatos, entre 1959 e 1969. Ele teve médias de 15.1 pontos e 22.1 rebotes por partida e possui onze anéis de campeão.






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