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5 trocas da NBA que foram boas para todos os envolvidos

Ricardo Romanelli
Ricardo Romanelli

Numa liga tão competitiva como a NBA, e que tem um sistema de trocas e contratações bastante particular em relação a outras ligas esportivas, é natural que as franquias busquem sempre levar vantagem em seus negócios e que não faltem análises sobre vencedores e perdedores de trocas de acordo com especialistas no assunto.

Apesar disso, existem algumas situações onde as trocas são tão boas para todos os times envolvidos que fica impossível dizer que algum deles se saiu melhor, sendo ambos vencedores. Conheça cinco casos em que isto aconteceu:

Shaq vai para Miami

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O ano era 2004. Depois de oito anos juntos no Lakers, a dupla Shaquille O'neal e Kobe Bryant tinha formado um dos times mais fortes que a NBA já viu. Com três títulos e quatro aparições em Finais neste período, Shaq havia sido MVP da liga e o jovem Kobe se consolidou como o maior astro em ascensão do basquete. Apesar disso, a relação entre eles não era boa, e o Lakers precisou fazer uma escolha entre um e outro. Com Kobe mais jovem e sendo agente livre ao final da temporada, o time decidiu trocar Shaq para não arriscar perder Kobe por nada no fim do ano. 

A tarefa não era fácil, já que seriam poucos times que Shaq aceitaria ser trocado sem protestos, e como um GM deveria encontrar um pacote justo por uma das maiores forças que o basquete já viu?

Pois Mitch Kupchak conseguiu. O Miami Heat, dirigido por Pat Riley (ex-Laker), entrou na jogada e levou o pivô para South Beach. Em troca, Riley enviou Lamar Odom, um vesátil ala jovem e em ascensão, além de Caron Butler, Brian Grant e uma escolha de Draft para o Lakers. Butler era outro jovem de potencial, e Grant um grande contrato expirante.

O negócio deu certo. Com Shaq, o Heat alcançou muita relevância e a parceria do ex-MVP com o jovem Dwyane Wade levou o time a um título em 2006, ajudando a pavimentar a cultura de excelência que atraiu LeBron James e Chris Bosh como agentes livres em 2010. Já para o Lakers, Odom se tornou uma peça fundamental para o técnico Phil Jackson nos anos seguintes, sendo um dos principais atores do bicampeonato conquistado em 2009 e 2010. Seu jogo completo e personalidade amigável se tornaram o complemento perfeito para o mercurial Kobe Bryant. Butler foi trocado no ano seguinte por Kwame Brown, cujo contrato expirante foi a principal peça do pacote que levou Pau Gasol ao Lakers dois anos depois. Já a escolha de Draft foi Jordan Farmar, talento local de UCLA que sempre foi muito bem quisto pela torcida em Los Angeles e também fez parte dos times campeões. 

Troca em família

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Outro grande negócio envolvendo o mesmo Los Angeles Lakers foi a já citada troca por Pau Gasol. Em 2007-08, Kobe Bryant cobrava da diretoria mais ajuda para competir. Após algumas tensões com o astro, a diretoria conseguiu um belo negócio. Adquiriu Pau Gasol junto ao Memphis Grizzlies por Kwame Brown e Aaron McKie (contratos expirantes), o jovem prospecto Javaris Crittenton, duas escolhas de Draft de primeiro round e os direitos sobre Marc Gasol, irmão de Pau, que estava na Espanha.

Na época, muita gente protestou e disse que o negócio era injusto, até pelo fato de Jerry West, ex-GM do Lakers, estar no comando do Grizzlies, o que levantou suspeitas. O técnico do San Antonio Spurs, Gregg Popovich, fez duras críticas e protestos, querendo inclusive que a NBA fizesse algo a respeito da troca.

O que nenhum deles sabia era que Marc se tornaria um dos melhores pivôs da liga e o melhor jogador da história do Grizzlies. O espanhol foi eleito o melhor defensor da NBA em 2013 e foi três vezes All-Star, ajudando o Grizzlies a alcançar os playoffs em diversas temporadas, chegando até a final do Oeste em 2015.

Já seu irmão mais velho ajudou o Lakers a conquistar o bicampeonato da NBA em 2009 e 2010, sendo o principal parceiro de Kobe Bryant naquele elenco. Pau Gasol ficou no Lakers até 2014, sendo duas vezes All-Star e três vezes All-NBA neste período, além, é claro, de bicampeão.

Chris Paul para Houston

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Em 2017, o armador Chris Paul estava infeliz. Aos 32 anos, ele era amplamente reconhecido como um dos maiores talentos de sua geração e um dos melhores armadores de todos os tempos, mas não havia conseguido chegar a Final da NBA, e nem ao menos a uma final de conferência. Como ele seria agente livre ao final da temporada, a especulação sobre uma saída dele do Los Angeles Clippers era grande.

Poucos dias antes do período de agência livre, ele informou ao Clippers que desejava sair. Seu destino prioritário era o Houston Rockets, para fazer uma parceria com James Harden. O Rockets, entretanto, não tinha espaço na folha salarial para dar a Paul o contrato que ele queria. Apesar disso, ele poderia exercer sua opção contratual por mais um ano de vínculo caso o Clippers estivesse disposto a trocar ele para a franquia de Houston. O Clippers gostou da ideia, para evitar perder o atleta por nada, e fechou um grande negócio.

O time de Los Angeles recebeu um pacote de jogadores que incluía, entre outros, Patrick Beverley, Lou Williams e Montrezl Harrel. Além disso, uma escolha de Draft que posteriormente foi usada para a aquisição do ala Danilo Gallinari. Os atletas se encaixaram muito bem e ajudaram o Clippers a reconstruir uma cultura vencedora, chegando aos Playoffs com uma surpreendente campanha apenas uma temporada após a troca de seus dois maiores astros (Blake Griffin foi trocado meses após Paul). Este time vencedor criou uma identidade muito forte na liga, que ajudou o Clippers a atrair Kawhi Leonard como agente livre. O contrato de Gallinari ainda serviu como peça na troca que levou Paul George ao time de Los Angeles. Beverley renasceu como um dos maiores defensores de sua posição na liga, enquanto que Williams e Harrell formam a dupla de reservas mais letal da NBA.

O Rockets também não se deu nada mal. Com Paul, o time chegou a uma campanha de 65 vitórias, a melhor de sua história, alcançando as Finais do Oeste em 2018 (a primeira final de conferência de CP3). O time perdeu em 7 disputados jogos para o campeão Golden State Warriors, mas fez uma temporada histórica. Na campanha seguinte, após uma saída precoce dos playoffs, a franquia conseguiu trocar Paul por Russell Westbrook, um ex-MVP mais jovem e amigo de James Harden, o que estende a janela de competição da franquia pelos próximos anos. Nada mal para quem começou tudo isso apenas se desfazendo de alguns jogadores coadjuvantes. 

Kyle Lowry por...James Harden?

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A troca inicial, é claro, não foi diretamente assim, mas disparou uma reação em cadeia que benficiou muita gente. Tudo começou em 2012 com o Houston Rockets trocando o armador Kyle Lowry para o Toronto Raptors por Gary Forbes e uma futura escolha de Draft. Lowry instantaneamente se tornou um queridinho da torcida canadense, alcançando cinco aparições no All-Star Game e um título com a equipe do Raptors. Sua camisa certamente será aposentada pela franquia de Toronto, e não precisamos explicar muito para entender os motivos pelos quais o Raptors se deu bem nessa.

Já o Rockets posteriormente utilizou esta escolha de Draft para executar uma Sign-and-Trade com James Harden, que era agente livre restrito do Oklahoma City Thunder. A equipe de OKC já tinha muitos jogadores com contrato alto, incluindo Kevin Durant e Russell Westbrook, e por isso precisou abrir mão do Barba. Harden chegou em Houston e se tornou o dono do time, conquistando um prêmio de MVP e ficando em segundo lugar por duas oportunidades, além de múltiplas aparições em All-Star Game. 

E o Thunder? Apesar de perder Harden, não foi uma derrota completa. O time poupou o dinheiro que queria e com a escolha de Draft selecionou o pivô Steven Adams, que até hoje faz parte da equipe e é um dos atletas mais populares com a torcida. 

Calouro por Calouro

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A mais recente das trocas ganha-ganha gerou uma boa dose de polêmica, mas que se dissipou rapidamente. Antes do Draft de 2018, o Atlanta Hawks tinha a terceira escolha e o Dallas Mavericks estava na quinta posição. Era sabido ao redor da liga que o Hawks gostava do armador Trae Young, que havia se destacado na NCAA, mas sobre quem muitos scouts tinham dúvida sobre a habilidade de passar ao próximo nível por seu tamanho. Por isso, escolher ele na terceira posição parecia um exagero para o Hawks. 

Já o Mavericks estava de olho em Luka Doncic, fenômeno esloveno que era profissional desde os 16 anos e havia conquistado tudo na Europa jogando pelo Real Madrid e pela seleção da Eslovênia, mas o Mavs também sabia que dificilmente ele chegaria até sua vez de escolher. 

Sabendo de seus interesses mútuos, o Hawks viu uma chance de conseguir seu jogador e tirar vantagem do fato de estar na terceira posição. A equipe de Atlanta selecionou Doncic na terceira escolha, e esperou para ver o que acontecia na sequência. O Memphis Grizzlies, que estava entre Atlanta e Dallas, selecionou o ala Jaren Jackson Jr. Isso deixou o caminho livre para que Dallas selecionasse Trae Young, e então oferecesse o atleta e uma escolha de primeiro round para o Hawks para obter os direitos de Doncic. A escolha ficou para 2019, onde o Hawks selecionou o ala Cam Reddish.

No fim, ambas as equipes conseguiram o calouro que queriam, e os dois já estão mostrando porque eram talentos muito bem cotados. Doncic foi eleito o calouro do ano com Young em segundo lugar, e ambos vêm fazendo excelente campanha de segundo ano. Mais do que isso, a personalidade de cada um deles se encaixa melhor na cultura em que foram inseridos. É difícil imaginar que Doncic estaria tão à vontade em Atlanta, e que Young teria tido o mesmo sucesso em Dallas. Ganha-ganha em sua mais pura expressão.

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