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Dejounte Murray: o novo produto do San Antonio Spurs

Ricardo Romanelli
Ricardo Romanelli

O San Antonio Spurs tem um excelente histórico em fazer com que jogadores excedam as expectativas originalmente projetadas e eles. Tony Parker, escolha de final de primeiro round; e Manu Ginobili, escolha de final de segundo round, se tornaram All-Stars e dois dos jogadores mais marcantes em suas posições nos últimos 15 anos da liga. Kawhi Leonard, escolha de final de loteria, se tornou um jogador Top5 dos dois lados da quadra e candidato a MVP da NBA, quando saudável. Existem muitos outros role players que, ao longo dos anos, subiram de produção graças ao excelente sistema de jogo e também de desenvolvimento de jogadores do técnico Gregg Popovich e sua comissão técnica, mas paramos por aqui com os exemplos porque a ideia é justamente exaltar o mais recente deles: Dejounte Murray.

A 29ª escolha do Draft de 2016

Produto do Washington Huskies no basquete universitário, Murray foi selecionado pelo Spurs no final da primeira rodada do Draft da NBA, com a 29ª escolha de 2016. Curiosamente, foi também na penúltima escolha do primeiro round que o Spurs selecionou Tony Parker, em 2001 (Parker foi draftado em 28º, mas na época a NBA tinha 29 franquias). Isso dá até um certo ar poético ao fato de que Murray, prospecto pouco badalado no início da carreira, recentemente assumiu o posto de titular da armação da equipe de San Antonio, empurrando o próprio Parker para o banco de reservas.

Conformado, Parker disse que saberia que isso aconteceria um dia, e que estava disposto a ajudar Murray a se tornar o melhor jogador que ele pudesse ser. Antes da temporada, com Parker e o sólido veterano Paty Mills no elenco, não seriam muitos que apostariam que o jovem Murray chegaria a ser titular da quinta melhor campanha da liga tão cedo.

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A ascensão de Dejounte Murray traz de volta o debate que rondou todos os atletas que citamos como exemplos de produtos do sistema do Spurs: será que eles que realmente tinham muito potencial e os outros times não viram, ou o Spurs e seu modelo que os fizeram chegar lá?

Essa pergunta, tão repetida, não deveria ser uma dúvida. Apesar de haver, claro, grande mérito e esforço do jogador envolvido no processo, também é inegável que a maior parte do desenvolvimento de um atleta se dá depois que ele entra na liga, e não antes. O trabalho do Spurs no desenvolvimento destes jogadores é determinante para seu rendimento em quadra. Com certeza se tivessem ido para times menos organizados e estruturados em torno de desenvolvimento de atletas, não teriam chegado a serem quem são hoje. E é por isso que são leais. O Spurs tem um histórico grande de jogadores que permanecem sua carreira inteira (ou quase isso) com a franquia. É um elenco restrito, de jogadores trabalhadores, sérios e comprometidos, mas do qual o atleta não sai mais depois que entra.

Dedicação e melhor defensive rating de todo elenco

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E ao definir o perfil comum destes atletas que o Spurs ajudou a forjar em campeões é que acabamos, por consequência, explicando aquilo que fez com que Dejounte Murray fosse o próximo da lista: o armador é dedicado ao time, busca sempre fazer a jogada certa, trabalha muito para melhorar e aparece nas áreas que o Spurs mais precisa. Atualmente, entre os atletas do Spurs, ele tem o melhor Defensive Rating do time (desconsideramos a pontuação de Kawhi Leonard, que fez apenas 9 jogos no ano), e também o melhor net rating do time. São excelentes dados para explicar o sucesso do jovem armador.

É assim, com bons trabalhos sucessivos de desenvolvimento de jogadores, sistema sólido e princípios que não são abandonados por nada ou por ninguém que o Spurs segue há 20 anos como uma das melhores franquias da NBA, conquistando 5 títulos no período e consagrando a carreira de qualquer jogador que chegue ao time focado no basquete e com disposição para trabalhar e evoluir.


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