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Kevin Durant está construindo seu império no Vale do Silício

Renato Campos
Renato Campos
03 de Abril

Depois de deixar de ser o Luke Skywalker da NBA para ser o próprio Darth Vader, Kevin Durant seguiu sua vida e vai te surpreender com sua nova empreitada.

Oito meses depois da decisão de deixar o Thunder para se juntar ao Warriors, Durant está prestes a construir um império no Vale do Silício. Sim, Kevin Durant está investindo pesado em uma empresa de tecnologia.

Era começo de tarde em uma terça feira de um dia relativamente quente de inverno. Durant pegou a estrada em um Cadillac Escalade preto, a caminho do quartel general do YouTube em San Bruno, Califórnia.

Naquela manhã, Durant já havia sido centro das atenções na cerimônia de inauguração das obras do Chase Center, o empreendimento de mais de US$ 1 bilhão de dólares, que vai transformar um terreno em San Francisco na nova casa do Warriors para a temporada de 2019.

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Após a cerimônia, Durant estava faminto. Ele parou no Jack's, um restaurante-bar familiar, próximo ao campus do YouTube. Naquele dia, o local parecia esperar o jogador que no dia anterior havia estado com seu time na vitória sobre o Cavs. Na TV, um toco épico que deu em LeBron James era reprisado a cada instante.

Durant conseguiu chegar até a sua mesa sem muito alarde dos que lá estavam. Ele se sentou de forma confortável e como um adolescente, pegou seu IPhone e foi conferir o que estava acontecendo na web.

Quando a conversa começou, Durant se mostrou bastante cauteloso e introspectivo. Ao contrário de muitos jogadores de calibre de MVP que tem as repostas na ponta da língua, Durant pausadamente pensava no que responder a cada questão elaborada.

Eu não tive amigos. Eu era muito quieto. Ficava muito na minha durante a infância.

Educado por uma mãe solteira em uma vizinhança nada amistosa, Durant não se sentia parte do local, o que acredita ter facilitado sua vida no basquete, que era o que mais importava naquele momento.

Eu precisei esquecer a minha vida real e viver meu sonho com o basquete. Só comecei a me sentir confortável com outras pessoas a poucos anos. Antes disso não saia em grupo, não tinha encontro com garotas, coisas do tipo. Tudo isso era novidade pra mim até pouco tempo atrás.

Próximo do final do almoço, uma mulher se aproxima com a camisa do Warriors e seus dois filhos. "Com licença, Kevin?" Ela perguntou em vão, quando um dos seus seguranças não deixaram que ela se aproximasse demais e antes mesmo que Kevin pudesse responder.

Antes de deixar o restaurante, Durant demonstrou seu carinho e respeito com o próximo. Se aproximou da mulher e seus dois filhos e posou com a familia para algumas 'selfies'.

As pessoas tentam me deixar confortável por aqui. Eu sinto que eles querem que eu tenha paz.

Quinze minutos depois, o Cadillac Escalade preto de Durant já estava buscando uma vaga no estacionamento do campus do You Tube. Chegando lá, ele foi direto para um auditório lotado de funcionários da empresa, a maioria deles nem parecia ter idade para votar

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Com um relógio Vacheron Constantin de US$ 59 mil no pulso, Durant não se encaixa no perfil de um programador. Mas ele se encaixa no perfil da geração YouTube, quando começa a falar sobre sua obscessão por GTA, hip-hop e, é claro, o YouTube. "Eu tenho certeza que vocês sabem que as vezes você só queria ver um video rápido e acaba passando horas fazendo a mesma coisa com diversos outros. É bem perigoso esse app de vocês."

Quando uma pessoa no auditório pergunta se ele tinha planos de atuar em algum filme ou série, assim como Blake Griffin e LeBron James, Durant arrancou gargalhadas quando disse: "Se alguém na NBA pode atuar realmente, é o Blake Griffin e LeBron." Os dois jogadores são considerados grande floppers, aqueles que fazem uma cena danada na busca de uma falta. Quando viu a reação da galera, Durant fez questão de ressaltar que tinha feito a afirmação pela participação da dupla em comerciais e filmes.

Em poucos minutos o papo ficou mais sério. Perguntado porque estaria interessado no mundo da tecnologia do Vale do Silício, Durant disse que estava seguindo os passos do mais novo companheiro de time Andre Iguodala, que é um notável investidor em empresas como Twitter, Facebook e Tesla.

Na verdade, Durant não chega ao Vale do Silício como um calouro no assunto. No último verão, ele já havia iniciado sua própria start-up, a Durant Company. A empresa já tem no seu portifólio investimento em empresas de tecnologia como Postmates e Acorrns, alguns hotéis e restaurates e também empresas de produção de filmes e séries para TV.

Na real, Durant não é muito diferente dos garotos de vinte e poucos anos que planejam ganhar milhões com ideias mirabolantes no Vale do Silício.

A única diferença entre eles, é que Durant já tem muitos milhões.

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No dia seguinte, Durant estava pilotando o seu Tesla Model S preto pela Oakland Hills após um 'shootaround' com o Warriors. Era próximo do meio-dia e a noite ele iria se encontrar pela segunda vez contra o seu ex-time, o Oklahoma City Thunder. Ele parecia mais distante neste dia, estava quieto e quando falava, tinha a voz baixa.

Vestido com um casaco do Warriors, ele sobe a colina onde fica localizada a sua casa. Ele estaciona liga seu Tesla na tomada para carregar sua bateria, e entra em casa pela garagem onde seu cachorro Ro descansa tranquilamente.

Seu chef particular está preparando uma massa para antes da partida. Durant se encaminha para a sala onde se esparrama no 'maior sofá já visto na terra' e encara uma imensa janela que tem vista para o centro da cidade de Oakland. Ele escolheu esta casa justamente por isto.

Durant vive em uma mansão alugada, já que passa maior parte do tempo na estrada. A decoração é moderna, paredes brancas são recheadas de arte expressionista, com uma série de troféus exibidos. A casa tem um estúdio de gravação, uma sala de recreação, um cinema com 16 lugares e um 'walk-in closet' só com seus tênis.

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No quarto principal da casa, existe outro closet dedicado aos seus ternos feitos sob medida, jóias e relógios. Seu maior tesouro também está neste cômodo, em uma coleção gigantesca de camisetas de bandas dos anos 80 e 90 - Nas, Biggie, Metallica, Stone Cold Steve Austin, a qual o jogador se orgulha de ter.

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De volta a sala de estar, Durant dá uma pausa em frente a uma parede com um quadro em preto e branco que mostra três punhos cerrados. Cada um dos punhos possui uma tatuagem em forma de triângulo na base dos polegares. Um punho é do próprio Durant, outro pertence a Charlie Bell, um amigo de infância que hoje é um executivo que agencia o Jay Z e o terceiro do Mr.Kleiman, seu agente e sócio na Durant Company.

"A foto é um lembrete sobre amizades verdadeiras", comenta o próprio Durant. Seu mundo social havia encolhido desde sua transferência controversa no último verão.

Quando você chega a NBA, especialmente de onde eu vim, você tem uma sensação de que todos passaram pelo mesmo processo. Lembro de algumas vezes sair a noite e ter umas 30 pessoas me acompanhando. Eu pensava que aquilo não era realmente minha essencia. Mas se você nunca teve este sentimento na vida, pessoas te demonstrando carinho, mesmo que tenha sido falso, você acaba abraçando a situação porque naquele momento tefaz se sentir bem. Agora somos só nós três.

Durant pode ter errado um pouco na matémática quando ele afirma que no momento só tem dois amigos. Ele terminou o noivado com Monica Wright, jogadora da WNBA, mas é facilmente visto em jogos em San Francisco e rapidamente fazendo amigos por lá.

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Em setembro, ele comemorou seu aniversário com um churrasco na casa de Ben Horowitz, um especialista em capital de risco e parceiro de negócios de Marc Andreessen, presidente da Opsware, uma empresa de software e mais conhecido como co-fundador da Netscape (os mais velhos entenderão). Dois meses depois, ele assistiu a apuração da eleição americana na casa de Eddy Cue, vice-presidente de serviços e software para internet da Apple, ao lado de Tim Cook, atual CEO da Apple e Pharrell Williams.

Eu acho que é por isso que muitos atletas e artistas acabam tendo boas relações com esses caras. A maioria de nós tivemos começos difíceis. Construimos algo do zero, e isso acaba nos aproximando.

Minutos antes de estar preparado para tirar o cochilo da tarde, Durant vai para o verdadeiro santuário de sua casa em Oakland, o estúdio de música.

"Cara, porque você mantém esse lugar sempre muito frio?" Ele pergunta a Raleigh Dunn, seu engenheiro de som, enquanto se senta em um dos cantos. As luzes ficam baixas, e o Mr.Dunn prepara um sample de Chi-Lites "Have you ever seen her" para Durant relaxar. Enquanto alguns podem chamar Raleigh Dunn de produtor, Durant o costuma definir como músico terapeuta.

Atualmente, rap e jogadores da NBA se tornaram um cliché. Antes de termos Damian Lillard, tinhamos Kobe Bryant. Antes de Kobe, tinhamos Shaquille O'Neal. Diferente de Durant, esses caras fizeram discos. Ele queriam créditos pelo trabalho feito. Os ritmos de Durant são quase como um diário músical, feitos para ele mesmo e para amigos muito próximos. Para ele, música é como meditação, ou por algumas vezes, sua principal terapia.

Eu tenho muita coisa na cabeça e sendo muito honesto, consigo transformar tudo em música com muita facilidade. A música é uma libertação pra mim. Me faz pensar apenas no momento e me deixa longe desse mundo louco que vivemos.

Neste mundo louco em que Kevin Durant e todos nós vivemos, o astro agora do Warriors, parece muito bem o que quer do seu futuro.

Baseado na matéria do jornalista Alex Williams do N.Y.Times

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