A NBA virou uma sala de espera. Enquanto LeBron James não escolhe time e a liga não conclui a investigação sobre o Clippers e Kawhi Leonard, oito situações seguem congeladas: as free agencies de James Harden, Draymond Green, DeMar DeRozan e Peyton Watson, o futuro de Anthony Davis, o elenco do Raptors e o calendário de 2026-27.
- LeBron James ainda não assinou. Cavaliers, Warriors, Heat e 76ers esperam a decisão.
- A troca de Kawhi Leonard para o Raptors está suspensa até a investigação da NBA terminar.
- Adam Silver disse esperar concluir a apuração sobre o Clippers ainda neste verão.
- James Harden recebeu US$ 39,4 milhões na última temporada e segue sem contrato em Cleveland.
- Draymond Green recusou opção de US$ 27 milhões para dar flexibilidade ao Warriors.
Por que a NBA inteira parou
São dois nós, não um. O primeiro é James, o free agent mais badalado do verão, que ainda não decidiu onde vai jogar. O segundo é a investigação da liga sobre o Clippers e Leonard por suposta burla ao teto salarial, que congelou uma troca já acertada com o Raptors. Enquanto os dois não se resolvem, ninguém em volta consegue se mexer.
1. A free agency de James Harden
Parece resolvido que Harden fica em Cleveland, mas ele ainda não assinou. O motivo não é falta de interesse dos dois lados: é a caçada por James, o quatro vezes MVP que pode voltar ao lugar onde começou. O salário hipotético dele entra na conta do que o Cavaliers consegue pagar a Harden, que recebeu US$ 39,4 milhões na última temporada. Repetir esse valor jogaria o time acima do segundo apron, faixa que a diretoria quer evitar em 2026-27. Se James aceitar o mínimo, Harden pode baixar para perto de US$ 30 milhões e todo mundo cabe. Se quiser mais que isso, corte salarial não basta.
2. Os endereços de Max Strus e Dennis Schröder
Para pagar mais que o mínimo a James, o Cavaliers precisa de um segundo passo. Digamos que Harden reassine por cerca de US$ 30 milhões. Evan Mobley e Donovan Mitchell passam de US$ 50 milhões cada, e Jarrett Allen tem US$ 28 milhões. Sobram dois salários médios para despachar. Strus recebe US$ 16,7 milhões e Schröder, US$ 14,8 milhões. Com uma escolha de primeira rodada anexada, qualquer um dos dois vira moeda. Schröder tende a ser o mais fácil de sair, e não só porque Strus renderia bem saindo do banco ao lado de James: o salário do alemão é pequeno o bastante para caber na midlevel exception de outro time, o que permitiria a Cleveland não receber nada de volta. Se James aceitar o mínimo, nada disso precisa acontecer.
3. A free agency de Draymond Green
Green recusou uma opção de US$ 27 milhões para entrar em um mercado que não pagaria perto disso. O veterano de 14 anos nunca teve intenção de sair, queria ajudar a única organização que já o empregou. O Warriors carrega dois salários gigantes na folha, os de Stephen Curry e do lesionado Jimmy Butler, e está no páreo por James. Um terceiro contrato pesado mataria essa chance, e é exatamente aí que a recusa de Green vira flexibilidade. Hoje Golden State não está perto de nenhum dos dois aprons. Se James for para lá, o time pode usar a midlevel exception de US$ 15 milhões nele e depois renovar com Green por menos. Se James for para outro lugar, Green pode receber dinheiro grande para voltar.
4. O futuro imediato de Anthony Davis
Semana passada, Bob Myers, presidente da empresa dona do 76ers, apareceu no "Game Over", podcast co-apresentado por Rich Paul, que é o agente de James. A missão era vender a Filadélfia. Enquanto isso, o Wizards não demonstrou interesse em trocar Davis, segundo fontes da liga ouvidas pelo The Athletic, mas contratou o astro por um pacote de mínimos há menos de um ano. Se James avisar ao Warriors que só vai se o antigo companheiro for junto, Washington passa a mandar na negociação. E se Golden State colocar um retorno suculento na mesa, os Wizards não teriam como não ouvir.
5. O calendário da temporada 2026-27
A NBA já começou a desenhar a tabela de 2026-27, mas fechar qualquer confronto é difícil sem saber onde James vai jogar. Desde que ele entrou na liga, em 2003, o time dele aparece mais na TV nacional do que apareceria sem ele, e no Natal ele se acomoda no horário nobre. Pouquíssimos jogadores têm esse peso, e um deles é justamente Curry, com quem ele pode acabar dividindo quadra. Não faz sentido a liga cravar o calendário antes de saber onde estão as suas maiores atrações.
6. A free agency de DeMar DeRozan
O Kings perdeu 60 jogos na última temporada e corria risco de pagar o imposto de luxo. A única saída razoável foi dispensar DeRozan, de 36 anos. Agora os destinos possíveis dele esbarram nos dois nós ao mesmo tempo. O Heat cogita DeRozan há anos, segundo fontes da liga ouvidas pelo The Athletic, mas está atrás de James: se não levar um ala pontuador, talvez vá atrás do outro. DeRozan pode não ser mais All-Star, mas passou de 18 pontos por jogo na última temporada. Os dois times de Los Angeles são destinos rumorados há tempos, e o que o Clippers fará depende de continuar ou não com Leonard. Já o Raptors, onde DeRozan começou a carreira, pode recorrer a ele se a troca desandar.
7. O elenco atual e futuro do Raptors
Toronto anunciou na semana passada que adiou a troca já acertada, à espera do resultado da apuração sobre a extensão que o Clippers deu a Leonard em 2022. Adam Silver disse em coletiva na terça que espera concluir a investigação "neste verão". Como está, o Raptors manda Brandon Ingram, Gradey Dick e duas escolhas de primeira rodada. Se Leonard for suspenso mas mantiver o contrato, Toronto pode exigir tirar uma primeira rodada do pacote, e aí o Clippers pode pedir outro jogador de volta, o que mexe na construção inteira. Se a troca sair como está, sobra a questão RJ Barrett, de 26 anos, no último ano de contrato e elegível a uma extensão neste verão. Barrett não é um arremessador de elite, mas foi quem mais atacou o aro pelo Raptors em 2025-26, e o ataque de meia quadra do time apagava sem ele. Sem Leonard, Toronto precisa de Barrett. Com Leonard, pode estender, segurar até a free agency ou trocar antes de perdê-lo de graça.
8. A free agency de Peyton Watson
Watson não é plano B de ninguém no caso James e não está na troca de Leonard. É só um ala do Nuggets, restricted free agent, tentando ser pago depois da melhor temporada da carreira. E, ainda assim, depende do caso Leonard. No verão passado, Denver estendeu Christian Braun por cinco anos, contrato que passa a valer em 2026-27, e a escolha foi feita no lugar de Watson, da mesma classe de draft. Hoje o Nuggets está acima do primeiro apron e colado no segundo, sem espaço para renovar com Watson e continuar embaixo. O caminho é um sign-and-trade, e o Clippers demonstrou interesse. Só que Denver quer escolhas de draft em troca, e se a negociação com o Raptors cair, tirando de Los Angeles duas primeiras rodadas que entrariam no cofre, o Clippers pode não querer mexer no próprio estoque.
Nada disso destrava sozinho. Basta James dizer uma palavra e o escritório contratado pela liga entregar um relatório para que oito histórias andem de uma vez. Até lá, a janela mais movimentada do calendário vira uma fila de gente olhando para o celular.



