A free agency da NBA chegou ao fim de julho com seis nomes de peso ainda sem contrato. Jonathan Kuminga, Jalen Duren, James Harden, DeMar DeRozan, Peyton Watson e Bennedict Mathurin seguem no mercado, travados por três motivos: teto de proposta, segundo apron e uma investigação da liga que congelou uma franquia inteira.
- Duren quer o mesmo contrato de Wembanyama: cinco anos e US$ 251 milhões.
- Pistons abriram a negociação perto de cinco anos e US$ 180 milhões.
- Nuggets ofereceram US$ 70 milhões em cinco anos a Peyton Watson.
- Kuminga mira menos de US$ 20 milhões por ano, acima da mid-level.
- Draymond Green renovou com o Warriors: um ano e US$ 27,7 milhões.
Jalen Duren: os dois lados em campos opostos
O Pistons e Duren seguem distantes. Elegível ao máximo de 30% do teto, o pivô mira pelo menos o máximo de 25%, o mesmo pacote de cinco anos e US$ 251 milhões que Victor Wembanyama assinou. A franquia começou a conversa na casa dos US$ 35 milhões por temporada, algo em torno de cinco anos e US$ 180 milhões.
A única alavanca do jogador é a qualifying offer de US$ 9,5 milhões, que o levaria ao mercado sem restrição em 2027. Shams Charania, da ESPN, resumiu o clima no NBA Today: "Parece que os dois lados estão firmes na posição. O Pistons tem um teto definido para Jalen Duren, e Duren claramente quer mais do que isso. Não surpreenderia ninguém se isso for até setembro. O prazo real é o media day."
O contexto ajuda a explicar a distância. Na temporada regular, Duren fez 19,5 pontos e 10,5 rebotes por jogo e defendeu o garrafão em nível de elite. Nos playoffs, caiu para 10,2 pontos e sumiu por longos trechos.
Jonathan Kuminga: dois pretendentes, a mesma conta apertada
Cavaliers e Lakers são os dois principais interessados no ala de 23 anos, segundo Charania. O problema é matemático. Kuminga começou mirando algo perto da opção de equipe de US$ 23,4 milhões que o Hawks não exerceu. Hoje a meta parece estar abaixo de US$ 20 milhões por ano, mas acima da mid-level de US$ 15 milhões.
Um salário desse tamanho só sai via sign-and-trade, e aí começa a complicação. O Lakers ofereceu um pacote com Jarred Vanderbilt e ativos de draft, mas Vanderbilt ganha US$ 12,4 milhões na próxima temporada, bem abaixo do que o ala quer receber. Toda operação de sign-and-trade exige contrato de no mínimo três anos, e Kuminga quer o contrário: se aceitar menos dinheiro, quer vínculo curto para voltar ao mercado logo. A proposta de dois anos e US$ 10 milhões foi considerada baixa.
No Cavaliers a conta é pior. O time pode montar o pacote com Max Strus (US$ 16 milhões) ou Dennis Schroder (US$ 14,7 milhões), mas flerta com o segundo apron e ainda precisa pagar Harden. Do outro lado, o Hawks tem 17 jogadores no elenco e está a US$ 4,9 milhões do luxury tax: qualquer salário que voltar na troca joga a franquia no imposto e obriga a novos movimentos. Atlanta só entra se a compensação em picks valer o incômodo.
James Harden e Draymond Green: o efeito colateral da novela LeBron
Os dois abriram mão das opções de jogador para dar folga salarial aos seus times na caçada por LeBron James. Green já resolveu a dele: renovou com o Warriors por um ano e US$ 27,7 milhões, praticamente o mesmo valor de que tinha aberto mão. Harden segue pendente. O Cavaliers está cerca de US$ 35,5 milhões abaixo do segundo apron com 13 vagas preenchidas e pode entregar boa parte disso ao armador, mas quer usar quase US$ 8 milhões da mid-level para atrair Kuminga, o que come o espaço de Harden. Charania projetava os dois acordos fechados dentro de uma semana.
DeMar DeRozan: quatro interessados, pouca verba
Heat, Nuggets, Cavaliers e Wizards demonstraram interesse, todos times que ficaram de fora da disputa por LeBron. Miami tem cerca de US$ 8 milhões de mid-level, mas prioriza Klay Thompson caso o buyout em Dallas se confirme. Denver é o único time acima do segundo apron hoje e só pode oferecer o mínimo. Cleveland tem mais do que isso para gastar, mas está ocupado com Kuminga. Aos 36 anos, DeRozan ainda entrega: foram 18,4 pontos e 4,1 assistências por jogo na última temporada.
Peyton Watson: a proposta que o Nuggets não consegue subir
O caso lembra o de Duren, com um agravante. Segundo Tony Jones, do The Athletic, o Nuggets ofereceu US$ 70 milhões por cinco temporadas ao ala, média de US$ 14 milhões por ano, abaixo até da mid-level. Um ano antes, a mesma diretoria deu cinco anos e US$ 125 milhões a Christian Braun, e foi Watson quem assumiu a função dele na temporada passada.
A trava é o segundo apron, onde Denver entrou ao igualar a oferta do Thunder por Jones. Pagar US$ 23 milhões por ano a Watson levaria a conta de luxury tax a US$ 231 milhões, calculou Bobby Marks, da ESPN. Bucks, Hawks e Clippers sondaram um sign-and-trade, e o pedido caiu de dois picks de primeira rodada mais duas trocas de escolha para uma primeira rodada mais um jogador de nível. Aqui, a qualifying offer de US$ 6,5 milhões é uma saída bem mais plausível do que no caso de Duren.
Bennedict Mathurin: refém de uma investigação
Os direitos de Mathurin pertencem ao Clippers, que ficou com ele na troca de Ivica Zubac. O time quer renovar com o ala, autor de 17,4 pontos e 5,5 rebotes em 26 jogos pela franquia na temporada passada. O impedimento é externo: praticamente tudo está parado enquanto a liga e o escritório de advocacia contratado concluem a investigação da Aspiration envolvendo Kawhi Leonard. Enquanto isso, o Pelicans e mais um time não identificado demonstraram interesse, segundo Marc Stein. Nova Orleans só tem a taxpayer mid-level de US$ 6 milhões, o que empurra qualquer acordo para um sign-and-trade. A qualifying offer de Mathurin é de US$ 8,8 milhões.
O prazo real
Nada disso é urgente, e essa é a chave para entender agosto. Não há multa por demorar: o limite prático é o media day, quando o elenco precisa estar fechado para a pré-temporada. Duren, Watson e Mathurin podem arrastar a conversa sem perder nada. Kuminga, Harden e DeRozan dependem de um espaço salarial que só aparece quando alguém se mexer primeiro. O mês tende a ser de silêncio, e aí tudo se resolve em poucos dias.
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