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A premiada vida de Kobe Bryant pós-basquete

Guilherme Borges
Guilherme Borges

Desde 2016, ano da aposentadoria da lenda mais recente do Los Angeles Lakers, Kobe Bryant, os fãs da franquia choram todas as noites. Mesmo após a contratação de LeBron James, o Roxo e Dourado não conseguiu voltar a seus tempos áureos. O elenco não encontrou encaixe e o time está muito mais próximo da não classificação para os playoffs do que da classificação. Enquanto isso, o cara que foi responsável pelas conquistas da franquia nos últimos 20 anos, o próprio Black Mamba, continua dominando fora das quadras.

Além de sua incrível habilidade para o basquete, de seus treinos que começavam as 4 da manhã, e de sua fixação pela perfeição, Kobe era conhecido pelo seu ímpeto em querer ser o melhor do jogo e por sua mentalidade destruidora. Bryant nunca quis só ganhar. Ele queria humilhar seus adversários. Destruir seus competidores. E se impor como ninguém nunca fez. A expressão “Mamba Mentality”, clara referência à Lenda, se tornou ainda mais comum após sua aposentadoria entre os norte-americanos. Se nós brasileiros “não desistimos nunca” e temos a “garra de ser brasileiro”, os americanos passaram a querer desenvolver a “mentalidade Mamba”. Aliás, foi justamente esse estilo matador que conferiu a Kobe o apelido de Mamba Negra, uma das cobras mais mortais do mundo.

É com essa mentalidade e em busca da perfeição que Kobe continua conduzindo seus negócios. Ele não entra em empresas para perder dinheiro. Ele não entra em competições para ficar em segundo. Kobe continua sendo Kobe no mundo de negócios, e isso tem feito com que os projetos dele tem dado muito certo. Aqui vai um breve histórico da vida do atleta após a aposentadoria.

O começo de tudo

12 de abril de 2013 foi o dia que mudaria a história de Kobe para sempre. O astro estava fazendo uma das melhores temporadas de sua carreira quando, em um jogo contra o Golden State Warriors – que já contava com Curry, Thompson e Green -, valendo vaga nos playoffs, a lenda foi ao chão completamente sozinho. “Você me chutou?” perguntou a Barnes que o marcava. A resposta negativa do adversário já deixou clara a gravidade da lesão. A partir dessa data, Kobe começou a pensar na pergunta que assusta todos os atletas: “o que farei quando terminar minha carreira?”. Foi diante desse que nasceu a Kobe Inc.

Agora, após a lesão do Aquiles, estou sentado em casa, sem poder me movimentar e algumas coisas começam a surgir na minha mente. Uma delas é ‘quantos episódios de Modern Family um homem pode ver? A outra é, ‘o que farei agora?

A decisão de Bryant, então, foi criar uma companhia, a Kobe Inc., para poder ajudar a desenvolver marcas de esportes buscando redefinir a indústria esportiva. Na época, a lenda tinha uma máxima: “se não for na indústria de esportes, que eu conheço muito bem, então eu não toco.” O primeiro investimento da Kobe Inc.? A compra de 10% das ações do isotônico “BodyArmor”? Se deu certo? Bom, Bryant inicialmente investiu “míseros” 6 milhões de dólares na marca. De lá pra cá, a bebida se tornou o drink oficial do UFC e a maioria das ações foram compradas pela Coca-Cola. O resultado? O investimento inicial de Kobe se transformou em 200 milhões de dólares. Uma valorização de mais de 300%. Não é preciso dizer quão ótimo foi esse investimento.

Kobe, o contador de história

Ainda em 2014, Kobe fechou uma parceria com a gigante Chinesa, Alibaba, para produção do seu documentário “Muse”, que registrou os desafios do Mamba durante a recuperação de sua lesão no tendão de Aquiles, e ainda, para vender seus produtos na China. O citado documentário foi inteiramente dirigido pelo jogador. Foi por causa disso que Kobe descobriu a sua próxima paixão: contar histórias.

Eu tenho coisas para falar. Coisas que eu não quero pensar nem me aprofundar nelas, coisas que eu só quero tirar de dentro de mim. Eu não tenho paciência para dize-las através de um livro, por isso farei dessa forma [através desse documentário]. No processo de gravação ele se tornou mais do que um documentário. Se tornou terapia através de um vídeo.

Nesse momento Kobe soube o que faria pelo resto da vida e a partir daí, foi só uma questão de fazer o que ele fez com todas as outras coisas da carreira: treinar e desenvolver. Apesar disso, a lenda do Lakers não podia se dedicar aos contos como queria. Ele estava no meio de um processo de recuperação e tanto sua mente quanto seu coração ainda estavam no basquete. E era só isso que ele conseguia pensar, como sempre foi. Ele jamais poderia deixar uma lesão acabar com sua carreira, então ele tinha que voltar para acabar o que começou, nos seus próprios termos.

Na temporada 2015-2016, após uma série de lesões decorrentes do rompimento do tendão, Kobe anunciou sua aposentadoria. Essa seria sua última temporada como jogador da NBA. O anúncio do fim de uma história, também serviu para começar uma nova. O astro anunciou sua aposentadoria através de uma “carta” endereçada para ninguém mais ninguém menos que o Basquete em si. Intitulada “Dear Basketball” (Querido basquete) a carta rapidamente foi à mídia e fez muito sucesso entre os fãs do jogo. Mas Bryant não parou na carta. Ele transformou o escrito em um curta dirigido e ilustrado por Glen Keane, um dos animadores mais famosos do Estados Unidos.

Em 2017 foi lançado o curta metragem e com ele veio talvez a maior conquista de Kobe até agora após sua carreira de basquete: um Oscar. Sim, a obra que nasceu da colaboração entre ele e Glen foi indicada para o prêmio máximo para obras audiovisuais e saiu vitoriosa. Daí em diante a lenda não parou. Sua produtora, que antes era a “Kobe Studios” e passou a se denominar “Granity Studios” começou a emplacar obra atrás de obra: foram programas de TV – “Detail” (Detalhe), “Musecage Baskebtall Network (série que misturava análises de jogadores com animação); Podcasts – “The Punies” (histórias em áudio para crianças) e; Livros – “The Mamba Mentality: How I Play” (“Mentalidade Mamba: o jeito que eu jogo”), “The Wizenard Series: Training Camp” (História de um time que recebe um treinador “mágico” e que desafia a equipe a mudar seu destino).

De volta aos esportes

Demorou mais do que imaginávamos, mas Kobe não conseguiu ficar longe dos esportes por muito tempo. Após toda essa produção como autor, o atleta inaugurou a “Mamba Sports Academy” (Academia Mamba de Esportes). Trata-se de um “armazém” de cem mil metros quadrados com todos os tipos de instalações voltadas para o esporte que você pode imaginar: quadras de basquete, de vôlei (tanto de quadra quanto de areia), centros médicos e de fisioterapia, espaços de luta, laboratórios de bio-mecânica, espaço de e-sport e etc. A ideia de Kobe é criar oportunidades para crianças que não possuem acesso às instituições de esporte de alta qualidade. Em outras palavras, o projeto abrange questões sociais e esportes, algo que muitos atletas da NBA possuem.

Enfim, até agora, foi “só” que o Black Mamba fez até agora da sua “pós-carreira”. Uma série de investimentos e criações bem sucedidas, com a sua marca registrada: muita dedicação e obsessão pela perfeição. Como ele mesmo gosta de dizer: Bicho diferente, mesmo Animal.

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